segunda-feira, agosto 11, 2008

Dia dos Pais

Foi ontem, tudo bem, mas ontem estava ocupada o dia inteiro
De manhã com as crianças da EBD, à tarde num almoço com um pastor amigo nosso e sua família, no fim da tarde, tive ensaio com o grupo de louvor e à noite o culto.

N EBD fizemos a festa de premiação dos alunos. Cada vez que eles terminam uma revista fazemos isso para poder estimular a cuidarem de suas revistas, decorar os versículos etc.

Então, ontem teve bolo, refrigerante, presente para os vencedores e segundos lugares e também uma atividade manual para entregarem aos pais.

Na hora de pintar as lembranças, fiquei dizendo às crianças que os pais ficariam felizes em receber o presente deles, que era pra capricharem, essas coisas, até que um aluno me surpreendeu:

- Meu pai é um merda! - ele gritou.

As outras crianças até fizeram silêncio. As professoras que me ajudavam também ficaram um pouco assustadas. Não dava prá dizer aquilo daquele jeito. tinha que conversar com ele. Perguntei a razão de estar tão chateado com o pai dele (o menino tem só 6 anos) e ele começou a explicar que o pai tinha casado com a mãe dele e depois estava se abraçando com outras mulheres.

Tive vontade de chorar. Tentei conversar com esse menino, a sós mais tarde, mas ele não queria entregar a lembrança ao pai. Disse para ele entregar à mãe, que ela ficaria feliz também. Mas ele não tava querendo conversa comigo, estava muito agitado.

Depois que todas as crianças foram embora, ele permaneceu porque a mola que o traz à igreja tinha umas coisas para fazer antes de ir embora.

E ele estava muito agitado, subindo no portão, nas cadeiras, nas mesas. Como eu já sabia a razão, nem falei mais nada; resolvi deixar o pobre do menino em paz uns minutos.

Meu marido percebeu que ele estava no portão e ficou com medo dele cair, então foi até lá conversar com ele, pedir para descer.

Foi incrível a reação do menino! Ele desceu, sentou num banco e ficou conversando com meu marido, como se fossem melhores amigos.

Depois subiu no colo dele e ficou como um bebezinho. Deu um beijo na bochecha dele e se ajeitou agarrando seu pescoço.

Aquele menino é uma graça! Muito inteligente, lê bem, com fluência, aprende as lições, mas é muito bravo, muito nervoso e ontem foi a primeira vez que o vi ficar tão bonzinho com alguém. Ele sente falta da figura do pai, de um homem que o abrace, que o beije. De um homem com quem ele possa conversar e isso ficou mais que claro quando se aproximou de meu marido daquela forma.

Sou feliz por ter tido um pai presente mesmo que nossa vida tenha sido toda meio maluca, que eu seja filha de pais separados, nunca poderei me queixar de que isso fez meu pai se tornar ausente em minha vida.

Espero, se chegar a ter um filho, que meu marido e eu possamos oferecer a segurança que uma criança precisa, o carinho, a disciplina e o amor que percebo que muitos pais e mães não têm conseguido suprir.

E fica aqui meu registro de que amo muito meu pai, que sinto saudades dele todos os dias e que me sinto privilegiada, numa multidão de pais ausentes, por ter o meu tão próximo.

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