quinta-feira, outubro 23, 2008

Aborto espontâneo

Hoje estava olhando as manchetes no site da UOL e vi uma coluna que tratava sobre aborto espontâneo. Pensei que fosse um documentário, um médico comentando, mas era um depoimento de uma jornalista que sofreu 3 abortos espontâneos esse ano.

Não tive dó, mas é inevitável pensar no assunto.

Quero muito engravidar e acho que talvez esse seja meu maior vilão hoje. O desejo excessivo que gera certa ansiedade. Tenho sim alguns problemas, mas de acordo com a médica, o tratamento foi bom e tenho chances normais de engravidar.

Quando a gente entra nesse mundo das mulheres que não conseguem engravidar facilmente como as outras, um monte de sentimentos costuma invadir a mente, o coração, a alma.
Vem a decepção cada vez que a menstruação chega...
Junto com ela, muitas vezes vem a tristeza de pensar "não foi novamente" e tentar reverter para um "não foi AINDA"...

Vem também uma certa revolta. Como é que eu não consigo engravidar? Sou casada, saudável, tenho o desejo para ser mãe, tenho um marido que quer ser pai, temos como sustentar um bebê... por que não posso ter?
E a revolta aumenta quando olhamos por outro lado.
Como é que essa menina de 13 anos engravidou depois de uma relação? Como é que essa mulher que já deu 5 de seus filhos engravida novamente? Como é que essa menina idiota que já deu um filho, engravida novamente, tenta abortar por 5 vezes e ainda vai ter outro bebê?

Parece que o cérebro da gente entra num Juicer da Walita. Mistura tudo, tritura tudo, moe tudo e de repente é só um suco amargo para descer goela abaixo.

Dentro da minha limitaçãoc, uso o Salmo 73 para perguntar "por que mulheres ímpias engravidam e as justas sofrem abortos espontâneos?"

Mas não fiquei revoltada com Deus. E foi isso que me fez sair do estado de nervoso em que estava até umas semanas atrás, mais precisamente, mês passado.

Ele me fez sossegar mês passado. Estou mais preparada para aceitar até se não puder mesmo engravidar. Não estou mais estressada contando os dias férteis. Se acontecer, aconteceu. Não quero mais ficar programando um filho como se fosse a aquisição de um bem valioso.

Talvez Deus esteja usando esse período para me fazer entender cada vez melhor que os filhos são flechas DELE, que talvez ele coloque em minhas mãos, mas não por minha causa, não por causa do meu marido, e sim porque ele quer que essas flechas sejam lançadas da direção da minha casa para a que Ele apontar.

Bom, o que tenho a dizer é que estou disposta a ser mãe e a não ser. Estou disposta a ser o que DEus quiser que eu seja. Claro que nesse caminho acredito que virão ainda períodos mais fáceis e também vales escuros, mas confio que Deus se compadece de mim, sabe como me sinto em relação a tudo isso e quero que ele faça a Sua vontade, não a minha, porque a minha várias vezes é pautada por egoísmo (pedem e não recebem porque pedem mal, diz Tiago), por mesquinhez, por orgulho e a dele é boa, perfeita e agradável. Sempre.

Até num aborto espontâneo.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Iguais

Porque somos e sempre seremos iguais.
Sempre os mesmos bebês chorões, como os mesmos temores do escuro, do frio excessivo, do sol escaldante ao meio dia.
E assim deve ser. Porque de alguma forma, ligados pelo mesmo tipo de essência e consciência, trazemos em nós as dúvidas e respostas de toda a humanidade, que foi, que é e que há de ser.
Distinguem-se as cores, alguns sotaques, gostos, gestos e jeitos, mas ainda assim, somos essencialmente iguais.
Olho esses iguais à minha volta e penso como em meio à tanta diferença nos parecemos.
Está na raiva, no amor. Na necessidade de crescer, mudar, aprender, compartilhar, somar. Está no fato de andarmos por vontade própria, ainda que inconsciente, por nossas próprias verdades que também são de outros.