sexta-feira, junho 29, 2012

Influência do mundo sobre os filhos

Tô eu aqui pensando.

A gente tenta fazer tudo certo com e pelo filho. O moleque come bem (quantidade E qualidade), dorme cedo, não vê TV, DVD só se eu tiver assistido antes, ouve música boa, não frequenta escolinha e pretendo que não frequente nos próximos muitos anos, vai à igreja, está praticamente o dia inteiro comigo ou com o pai... mas ninguém tem controle total. 

Ele AGORINHA me "cantou":

- Mãe, eu quero tchu, eu quero tcha!

Como faz?? É assim que eles aparecem tatuados em casa??

domingo, junho 24, 2012

Uma noite dessas

Acho que foi anteontem.

Lá pelas tantas da madrugada Levi, que está gripado, começou a tossir. Com o barulho, a Clara acordou e resmungou no berço. Para que ela não chorasse e o Levi acordasse de vez, Fernando se levantou e foi rapidamente até o berço. Antes de encostar no berço, deu um grito, acendeu a luz, o Levi acordou, a Clara começou a chorar e o Fernando voltou para a nossa cama, pulando num pé só.

Tinha pisado num escorpião*.

* Sim, aqui em casa tem muitos escorpiões, sempre. Já procuramos a prefeitura, mas eles não tem quem cuide de questões assim. Já dedetizamos a casa, não resolve. Caso tenha uma dica infalível - criar galinhas não, por favor - diga!

sexta-feira, junho 15, 2012

As mulheres da minha vida

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree

Publicado originalmente AQUI Ó.

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Há quatro meses me tornei mãe de menina.

Desde que engravidei tinha aquela certeza interna de carregar uma menina. Inicialmente o ultrassonografista disse ser outro menino, mas alguma coisa dentro de mim me dizia para esperar e foi o que fiz. 

Veio a novela do nome – um dia escrevo direito sobre isso, acho – e aquela curiosidade gostosa de saber como seria o rostinho da minha bb. 

E no dia 05 de janeiro deste ano, três dias depois do aniversário de dois anos do irmão, a Clara chegou. 

Tão linda, tão esperta, com aqueles olhões arregalados para mim, tão calma, tão gostosa de segurar, de cheirar, com uma micro boquinha vermelha carmim, pela branquinha e cabelos ralos e escuros. Tão emocionante ouvir seu choro. Tão bom sentir seu rosto junto ao meu antes de sair da sala de parto. De repente aquela emoção do nascimento do primeiro filho estava de volta, agora em forma de menina.

Foi e tem sido igualmente assustador. Olhar para a minha filha é olhar para mim mesma de um jeito totalmente novo, diferente. É me enxergar refletida. É revisitar cada uma das mulheres da minha família.

Nos últimos anos inevitavelmente tenho reconhecido essas mulheres em mim. Vejo muito da minha avó materna, na mania de passar tudo pela água, na chatice com o marido ao volante, na rotina diária da casa. Vejo minha avó paterna, sovo meus pães com a mão dela virtualmente repousando sobre a minha, vejo meus movimentos parecidos com os dela, o gosto pela casa cheia, o desejo de muitos filhos (ela teve nove), o “dom da reclamação” sobre todas as coisas e a curiosidade sobre tudo. Vejo minha mãe, a cara de brava dando bronca nos filhos, a criatividade para inventar brinquedos e brincadeiras nos dias chuvosos. Vejo minhas tias, as risadas de algumas, a vontade de esganar de outras e assim percebo que sou uma tela feita de pinceladas diversas de aquarela, de cores diversas que produziram novas nuances ao entrar em contato com os reagentes contidos em mim mesma e que refletem agora uma imagem única, exclusiva, ainda que muito parecida com algumas ou todas elas, não caricata, autêntica.

E temo. Não que o resultado tenha sido ruim... falaria eu mal de mim ou delas?
Temo de um jeito não assombrado, mas ansioso pela nova tela que tenho em mãos: minha pequena e silenciosa Clara. Que reagentes tem ela em sua natureza? A tela parece branca, mas sei que não é apenas isso. Sei que logo suas cores surgirão, sutis inicialmente, mais fortes e seguras no futuro. E tudo o que desejo é ter a mão leve, o espírito aberto, os olhos criativos, o traço firme, mas não rude, para que ela reflita a mais bela obra já vista.

Link para você votar no Face AQUI Ó.

 
* letra AQUI.

quarta-feira, junho 06, 2012

Maternidade Real - Madrugada


Queria postar um texto super legal hoje. Tava inspirada, escrevi mentalmente (oi??) e até comecei a escrever digitalmente. 

Daí... fui cuidar dos filhos e depois sentei para conversar com meu pai na sala, afinal, não tenho meu pai aqui em casa sempre. É melhor conversar com ele.

Conversa vai, conversa vem e estamos nós falando de coisas engraçadas/aterrorizantes dos filhos. Pausa. É muito legal falar dos filhos para meu pai. Minha infância é tão, tão viva, as memórias são tão palpáveis e de repente estou eu falando da infância de meus dois filhos com meu pai. Ai, ai... vou ter saudades disso quando ele voltar prá SP. Despausa. E na conversa lembrei-me de uma coisa do Levi.

Estávamos nós, madrugada, trocando as fraldas dele. Pausa novamente. Gente do céu!! Por que cargas d’água nós íamos em par trocar a fralda de um, UM bebê?? Despausa. Pegamos a fralda, algodão, água morna no potinho, tudo nos conformes. Bebê no trocador, ventilador ligado, girando em direção à cadeira de balanço, aos pés do trocador.

Você, mãe, já se ligou no babado? Você, querido papai de primeira viagem, mentalize.

A dupla e o bebê em seus lugares. Tirei a fralda, rapidamente coloquei a outra debaixo do bumbum, agora limpo. Peguei mais uma bolinha de algodão, umedeci para caprichar e pru. É, isso. PRU. Era esse som mesmo. O garoto fez mais cocô molenga de bebê que só mamava leite dessa mãe aqui. Ele sorriu, nós nem o olhamos nos olhos. Sabe como é... a criança pode achar que acordar à noite é legal, a gente meio que teme brincar com o perigo. Nada de olho no olho. Silêncio total, pega outra fralda, algodão úmido na bundica, fralda nova, bebê sorri e...

PRUUUUUUU.

No ventilador. É. No ventilador. Na parte de trás do ventilador, que puxa o ar, sacou?

Merda no ventilador. Literalmente, numa madrugada quente qualquer de fevereiro 2010.

Quase morremos de rir, tive que dar banho na criança, tive que tomar banho. Precisamos limpar o quarto e o plano “olho no olho nunca” escafedeu-se. Ou, só fedeu-se mesmo.


segunda-feira, junho 04, 2012

Politicamente incorreto


O debate sobre religião paira sobre grupos diversos e, claro, não ficaria de fora da maternagem.

Eis que o Mamatraca novamente entra com um tema para o qual meu comment ficaria demasiado longo e, portanto, não seria legal. Por isso, escrevi aqui, aproveitando para tratar de algo que considero primordial.
Quando vi o vídeo das meninas, concordei parcialmente com cada uma, mas tenho uma opinião própria, construída anos a fio. 

Vamos por partes como diria Jack, o estripador.

Temos religião em casa. Somos presbiterianos. 

Nossos dois filhos foram batizados – na Presbiteriana não há padrinhos, são os pais que apresentam e o pastor local ou convidado batiza – e o próximo (próximos??) também será. Ensino o Levi as coisas normais da vida, como qualquer mãe, mas tudo o que acontece é motivo para que eu o ensine também sobre nossa fé. Não fico discursando com ele. É um processo natural. Quando vemos um passarinho, conto o que o passarinho faz, conversamos sobre onde é a casinha do passarinho, o que ele come e aproveito prá dizer, por exemplo: “filho, viu que lindo o passarinho que Deus fez?”.  

Para alguns soa lavagem cerebral. Para mim, é a pura verdade. É no que acredito mesmo, não acho que outra verdade coexiste com essa. Acho que é essa a única verdade. Avisei no título que seria politicamente incorreta.

Essa abordagem serve para tudo e não penso muito sobre ela, embora não a negligencie, porque acredito também – a Bíblia ensina assim – que tenho a obrigação de ensinar em todos os momentos aos meus filhos sobre Deus.

Uma vez estava conversando com um tio meu, ainda não tínhamos filhos e ele disse que se tivesse um filho, não ensinaria que Deus é a única verdade. Achei engraçado. Perguntei se para ele essa era uma verdade, ele disse que sim, mas que queria que o filho tivesse acesso à pluralidade. Lembro-me de ter rido, achei meio ridículo, ele sabe. Perguntei se ele iria dizer ao filho que o amava, ele prontamente concordou, dizendo que isso verdade. Para mim, dizer aos meus filhos que Deus os ama, que criou o Universo, que Jesus é o único salvador são verdades tão concretas e reais quanto dizer que os amo.

Vamos à igreja semanalmente e, como trabalhamos na igreja, o Levi está acostumado a participar de tudo, inclusive o que não é exclusivo para crianças. Não temos babá, então ele participa de ensaios, algumas visitas, cultos, tudo tudo, desde que não seja na hora de dormir.

Aos domingos ele dorme mais tarde, porque considero mais importante ficarmos juntos no culto. A Clara ainda fica pouco na igreja, mas assim que engatinhar, vai ficar no berçário de lá, como foi com o Levi.

Não acredito que todas as religiões estejam corretas, mas nem acho que a minha é A religião. Gosto da igreja presbiteriana, de sua doutrina, considero uma igreja bíblica, é reformada, o que para mim é essencial, histórica, o que é importante também. A Bíblia está acima de qualquer religião, por isso, o dia em que a Igreja Presbiteriana do Brasil, da qual faço parte, se distanciar dela, não servirá para mim. A igreja local é o meio para eu servir a Deus, não um fim em si. O fim é Deus.

Mas, e o respeito? Bom, eu respeito todas as outras pessoas de outras religiões, cristãs ou não. Mas não concordo com elas e não é o que desejo para meus filhos. Enquanto estiverem sob minha guarda, enquanto forem menores, vão me seguir. Não tem a opção de ficar em casa, não podem escolher outra igreja. Quando forem donos de seus narizes, ok. Façam o que quiser, antes disso, necas.

Tem outra coisa. Nunca os obrigarei a assumirem um compromisso com a igreja local, porque isso tem que ser uma expressão da sua fé. Vou ensinar, como tenho feito, guiar. Caso não concordem, vão engolir até poderem arcar com suas decisões, mas depois, estarão livres.
Parece incoerente, mas é só prestar atenção e verá que não é. Minha responsabilidade não passa por cima de quem eles são. Um dia eles mesmos vão se questionar, me questionar e quero responder com clareza, calma, vão conhecer outras teorias, e acho tudo normal, saudável e espero que o façam, não que aceitem cegamente minha fé. Quero que desenvolvam um relacionamento com Deus, não que sigam regras vazias.

Isso daria um livro, não um post. Aqui está a introdução.

O politicamente correto parece bonito, mas é uma coluna do meio que não serve para nós aqui em casa e nem por isso nos autoriza a desrespeitar pessoas.

Uma coisa, uma coisa. Outra coisa, outra coisa.

Levi lendo a Bíblia para uma boneca.