quinta-feira, setembro 04, 2008

Minha primeira máquina de costura

Tem coisas que não mudam nunca.
O tempo passa, a gente pensa que está mutanto (não digitei errado, quis escrever com T mesmo) e de repente, aos 26 anos descobre que tem dentro de si a mesma pessoinha que tinha aos 6, 7 e 8 anos.
Faz quase 20 anos uma senhora da igreja, esposa de um de nossos presbíteros, me ensinou a costurar. A coitada ficou responsável para cuidar de mim e meus irmãos uns dias, não sei bem a situação, mas ela, costureira, ocupadíssima e sem saber o que fazer com os pirralhos - a saber, éramos três - tinha que continuar trabalhando e ainda virar mãe de três sem ter um sequer (ela e o marido não puderam ter filhos, embora o desejassem muito).
E fez o que sabia fazer bem: costurou. Lembro dela me levando entre as máquinas de sua sala, e lembro de ter cortado tecido para eu ver, de ter me mostrado como se fazia cada passo de sua atividade.
Me enfeitiçou na hora!
Fiquie vidrada por aquela coisa de máquina, tesoura, que já era mesmo uma paixão desde antes dessa idade e ainda é, e tecidos.
O interessante foi que fiquei encantada com os retalhos. Via nos retalhos dela a grande chance de eu ter roupas feitas por mim pra minhas bonecas.
Antes de eu ir embora, ela fez para mim, no mesmo papel que usava para os seus, moldes para minha Barbie aeromoça. Fez molde de saia, vestido, calça, bata... e como é uma pessoa com muito tutano na mente, me deu uma sacola de retalhos.
Carreguei aquilo comigo para aca sa da minha avó como se fosse o bem mais precioso da minha vida!
Minha avó perdeu naquele dia um carretel e uma agulha, que foram cedidas para eu começar meu ofício de costureira oficial da Barbie.
Quando o fim de semana acabou e meu pai me levou de volta para a casa da minha mãe, ela ficou meio revoltada por ver tanta tralha na minha mala, mas acabou prmitindo que ficasse comigo.
Peguei tanto gosto pela coisa que passei a fazer peças até para mim e aprendi a fazer consertos simples à mão - por anos fui a "fazedora" de barras da família da minha mãe.
Aos 10 anos ganhei minha primeira máquina de cotura. Como era linad!
E funcionava mesmo! Com umas pilhas ou com a manivela. E não tinha bobina, então a costura tinha que ser muito bem feita para ficar presa de verdade.
Aprendi a mexer no trem e esse foi um dos meus presentes favoritos anos a fio.
Um dia, já mais elha, perto dos 15 anos, minhna mãe pediu para eu dar à ujma de minhas primas. Acabei cedendo e me arrependo amargamente por isso até hoje.
Ontem fui à cidade vizinha e comprei uma máquina de costura. Não é com flores desenhadas, nem movida à pilhas. Evoluiu um tanto, ficou mais complicada de usar (tem que encher as bobinas =[ ) mas dentro de mim, quando sentei para testar os vários pontos e ver se eu ainda sabia alguma coisa, estava a mesma menina de quase 20 anos atrás. Não tinha uma Barbie ao lado, nem a Lúcia para dar as dicas, mas tinha o mesmo desejo, a mesma alegria, o mesmo desafio.
Assim que coloquei a linha, consertei dois shorts que estavam encostados esperando eu lembrar de mandar para a costureira, com a mesma atenção que dispensei para fazer a primeira saia de minha boneca.
Acho que todo mundo muda o tempo inteiro e ao mesmo tempo a essência permanece intacta.
Acho que a gente cresce e amadurece par poder enxergar que o sentido das coisas está naquilo que fazíamos naturalmente antes de aprender a ser quem queríamos ser.
E acho que quanto mais se anda para frente, mais se enxerga o que ficou para trás. Como uma pintura de pontilhismo. De perto não tem sentido algum, parece apenas tinta que espirrou na tela, mas de longe pode ser a mais bela das pinturas, um Monet...
Antes eu via apenas uns pontos, agora começo a ver que eles formam figuras, gentes, cores e lugares. Espero poder ter a sensibilidade de um dia, no futuro, enxergar a grande tela da minha vida, pelos olhos da experiência, sem nunca perder a alegria infantil e ingênua do passado.


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