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quarta-feira, julho 11, 2012

Sólidos, pela segunda vez

Já escrevi aqui sobre como foi a introdução de alimentos sólidos com o Levi.
A Clara começou a jornada com os sólidos um pouco antes de completar os seis meses, uns 15 dias antes.
Tem sido tranquilo, fácil, gostoso, divertido.

Já tinha me esquecido de como é legal observar a carinha do bb experimentando um sabor pela primeira vez. Ainda não estou misturando coisas, mas ela prova tudo o que pede e já conheceu mais frutas do que eu até os 20 anos (nota: eu fui uma das piores pessoas para comer que conheci até hoje, por isso não tenho medo de criança que come mal e, vai ver, por isso não tenho nenhuma ;] ).

Pode ser impressão, mas ela prefere legumes a frutas. O primeiro purê ela comeu quando fez seis meses, mas não havia quem pudesse resistir. Coloquei uma porção de bbzico e ela comeu de bbzão.

Hoje à tarde comeu banana compartilhada do irmão, que ia cortando (esmagando) os pedacinhos e colocando em sua boca. A única coisa que estava meio desconfortável era oferecer comida com ela no carrinho ou no colo. Não sei como uma pessoa vive assim, mas eu detesto alimentar criança tendo que pensar o tempo inteiro "não pode sujar". Hoje o Fernando fez uma cadeira de madeira para o Levi, tipo as de restaurante e isso finalmente liberou o cadeirão para a mocinha fazer suas próprias descobertas, com as mãos.

Não sei se há muito a acrescentar sobre esse assunto, uma vez que a história é quase a mesma do irmão, sobre quem já escrevi. As diferenças são que não comprei copo de transição dessa vez. Para o Levi comprei dois tipos diferentes, caríssimos, que foram pouco usados porque ele passou a preferir um copo comum desses com bico rígido, mas com válvula para não derramar todo o líquido.

A Clara toma no copo de vidro ou xícara de café mesmo e já testei e comprovei que ela usa sem problemas esse tipo de copo com bico rígido, portanto, na próxima ida ao mercado, ela vai ganhar  dois, um para água e outro para refrescos. Ah! Ela adora água, como foi com o irmão e, diferente dele, adora suco também. Ele comia qualquer fruta, mas necas de suco.

Costumo dizer que estamos criando coelhos, porque os meninos - agora os dois - estão sempre roendo alguma coisa verde ou crua.

Termino com uma foto da coelhinha descobrindo brócoli. Enquanto ela descobria, o irmão falava "come, Caara, brócoli é muito delícia!".

domingo, julho 08, 2012

Seis meses

A Clara completou seis meses dia 05. E passou o dia inteiro aparecida da silva.
Comeu papel crepom laranja. Comeu um pedaço de E.V.A. azul turqueza.
Quase comeu um mosquitinho que estava morto no chão, mas consegui intervir antes.
Comeu o primeiro purê, porque estava irresistível mesmo, batatas cozidas no molho da carne preparada na véspera.
Roeu um pedacinho de cola, daqueles tubinhos para pistola de cola quente.
Saracoteou pela cozinha inteira, pela primeira vez. Descobriu que consegue sair do tapete e ir além da área já explorada, que consegue alcançar os pés da mamãe na pia.
Roubou um pão das mãos do irmão.
Perdeu uma soneca da manhã.
Conversou sem parar. SEM PARAR. S E M P A R A R.
Ficou em pé, com o próprio esforço para levantar, pela primeira vez.
Mamou como se fosse a última vez, o tempo inteiro, como se fosse uma despedida.
Chorou um pouco. Gargalhou muito.
Quis colo da mamãe, do papai, do irmão. E só o nosso. Não quis visitas. 
Fez caras e bocas, gesticulou, pediu, gritou, grunhiu.
Foi um dia cheio de Clara.
Tomou banho e foi dormir às seis, em homenagem a si mesma, para descansar no fim do seu dia especial.

sexta-feira, junho 29, 2012

Influência do mundo sobre os filhos

Tô eu aqui pensando.

A gente tenta fazer tudo certo com e pelo filho. O moleque come bem (quantidade E qualidade), dorme cedo, não vê TV, DVD só se eu tiver assistido antes, ouve música boa, não frequenta escolinha e pretendo que não frequente nos próximos muitos anos, vai à igreja, está praticamente o dia inteiro comigo ou com o pai... mas ninguém tem controle total. 

Ele AGORINHA me "cantou":

- Mãe, eu quero tchu, eu quero tcha!

Como faz?? É assim que eles aparecem tatuados em casa??

domingo, junho 24, 2012

Uma noite dessas

Acho que foi anteontem.

Lá pelas tantas da madrugada Levi, que está gripado, começou a tossir. Com o barulho, a Clara acordou e resmungou no berço. Para que ela não chorasse e o Levi acordasse de vez, Fernando se levantou e foi rapidamente até o berço. Antes de encostar no berço, deu um grito, acendeu a luz, o Levi acordou, a Clara começou a chorar e o Fernando voltou para a nossa cama, pulando num pé só.

Tinha pisado num escorpião*.

* Sim, aqui em casa tem muitos escorpiões, sempre. Já procuramos a prefeitura, mas eles não tem quem cuide de questões assim. Já dedetizamos a casa, não resolve. Caso tenha uma dica infalível - criar galinhas não, por favor - diga!

sexta-feira, junho 15, 2012

As mulheres da minha vida

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree”

Publicado originalmente AQUI Ó.

VOTE AQUI


Há quatro meses me tornei mãe de menina.

Desde que engravidei tinha aquela certeza interna de carregar uma menina. Inicialmente o ultrassonografista disse ser outro menino, mas alguma coisa dentro de mim me dizia para esperar e foi o que fiz. 

Veio a novela do nome – um dia escrevo direito sobre isso, acho – e aquela curiosidade gostosa de saber como seria o rostinho da minha bb. 

E no dia 05 de janeiro deste ano, três dias depois do aniversário de dois anos do irmão, a Clara chegou. 

Tão linda, tão esperta, com aqueles olhões arregalados para mim, tão calma, tão gostosa de segurar, de cheirar, com uma micro boquinha vermelha carmim, pela branquinha e cabelos ralos e escuros. Tão emocionante ouvir seu choro. Tão bom sentir seu rosto junto ao meu antes de sair da sala de parto. De repente aquela emoção do nascimento do primeiro filho estava de volta, agora em forma de menina.

Foi e tem sido igualmente assustador. Olhar para a minha filha é olhar para mim mesma de um jeito totalmente novo, diferente. É me enxergar refletida. É revisitar cada uma das mulheres da minha família.

Nos últimos anos inevitavelmente tenho reconhecido essas mulheres em mim. Vejo muito da minha avó materna, na mania de passar tudo pela água, na chatice com o marido ao volante, na rotina diária da casa. Vejo minha avó paterna, sovo meus pães com a mão dela virtualmente repousando sobre a minha, vejo meus movimentos parecidos com os dela, o gosto pela casa cheia, o desejo de muitos filhos (ela teve nove), o “dom da reclamação” sobre todas as coisas e a curiosidade sobre tudo. Vejo minha mãe, a cara de brava dando bronca nos filhos, a criatividade para inventar brinquedos e brincadeiras nos dias chuvosos. Vejo minhas tias, as risadas de algumas, a vontade de esganar de outras e assim percebo que sou uma tela feita de pinceladas diversas de aquarela, de cores diversas que produziram novas nuances ao entrar em contato com os reagentes contidos em mim mesma e que refletem agora uma imagem única, exclusiva, ainda que muito parecida com algumas ou todas elas, não caricata, autêntica.

E temo. Não que o resultado tenha sido ruim... falaria eu mal de mim ou delas?
Temo de um jeito não assombrado, mas ansioso pela nova tela que tenho em mãos: minha pequena e silenciosa Clara. Que reagentes tem ela em sua natureza? A tela parece branca, mas sei que não é apenas isso. Sei que logo suas cores surgirão, sutis inicialmente, mais fortes e seguras no futuro. E tudo o que desejo é ter a mão leve, o espírito aberto, os olhos criativos, o traço firme, mas não rude, para que ela reflita a mais bela obra já vista.

Link para você votar no Face AQUI Ó.

 
* letra AQUI.

quarta-feira, junho 06, 2012

Maternidade Real - Madrugada


Queria postar um texto super legal hoje. Tava inspirada, escrevi mentalmente (oi??) e até comecei a escrever digitalmente. 

Daí... fui cuidar dos filhos e depois sentei para conversar com meu pai na sala, afinal, não tenho meu pai aqui em casa sempre. É melhor conversar com ele.

Conversa vai, conversa vem e estamos nós falando de coisas engraçadas/aterrorizantes dos filhos. Pausa. É muito legal falar dos filhos para meu pai. Minha infância é tão, tão viva, as memórias são tão palpáveis e de repente estou eu falando da infância de meus dois filhos com meu pai. Ai, ai... vou ter saudades disso quando ele voltar prá SP. Despausa. E na conversa lembrei-me de uma coisa do Levi.

Estávamos nós, madrugada, trocando as fraldas dele. Pausa novamente. Gente do céu!! Por que cargas d’água nós íamos em par trocar a fralda de um, UM bebê?? Despausa. Pegamos a fralda, algodão, água morna no potinho, tudo nos conformes. Bebê no trocador, ventilador ligado, girando em direção à cadeira de balanço, aos pés do trocador.

Você, mãe, já se ligou no babado? Você, querido papai de primeira viagem, mentalize.

A dupla e o bebê em seus lugares. Tirei a fralda, rapidamente coloquei a outra debaixo do bumbum, agora limpo. Peguei mais uma bolinha de algodão, umedeci para caprichar e pru. É, isso. PRU. Era esse som mesmo. O garoto fez mais cocô molenga de bebê que só mamava leite dessa mãe aqui. Ele sorriu, nós nem o olhamos nos olhos. Sabe como é... a criança pode achar que acordar à noite é legal, a gente meio que teme brincar com o perigo. Nada de olho no olho. Silêncio total, pega outra fralda, algodão úmido na bundica, fralda nova, bebê sorri e...

PRUUUUUUU.

No ventilador. É. No ventilador. Na parte de trás do ventilador, que puxa o ar, sacou?

Merda no ventilador. Literalmente, numa madrugada quente qualquer de fevereiro 2010.

Quase morremos de rir, tive que dar banho na criança, tive que tomar banho. Precisamos limpar o quarto e o plano “olho no olho nunca” escafedeu-se. Ou, só fedeu-se mesmo.


segunda-feira, junho 04, 2012

Politicamente incorreto


O debate sobre religião paira sobre grupos diversos e, claro, não ficaria de fora da maternagem.

Eis que o Mamatraca novamente entra com um tema para o qual meu comment ficaria demasiado longo e, portanto, não seria legal. Por isso, escrevi aqui, aproveitando para tratar de algo que considero primordial.
Quando vi o vídeo das meninas, concordei parcialmente com cada uma, mas tenho uma opinião própria, construída anos a fio. 

Vamos por partes como diria Jack, o estripador.

Temos religião em casa. Somos presbiterianos. 

Nossos dois filhos foram batizados – na Presbiteriana não há padrinhos, são os pais que apresentam e o pastor local ou convidado batiza – e o próximo (próximos??) também será. Ensino o Levi as coisas normais da vida, como qualquer mãe, mas tudo o que acontece é motivo para que eu o ensine também sobre nossa fé. Não fico discursando com ele. É um processo natural. Quando vemos um passarinho, conto o que o passarinho faz, conversamos sobre onde é a casinha do passarinho, o que ele come e aproveito prá dizer, por exemplo: “filho, viu que lindo o passarinho que Deus fez?”.  

Para alguns soa lavagem cerebral. Para mim, é a pura verdade. É no que acredito mesmo, não acho que outra verdade coexiste com essa. Acho que é essa a única verdade. Avisei no título que seria politicamente incorreta.

Essa abordagem serve para tudo e não penso muito sobre ela, embora não a negligencie, porque acredito também – a Bíblia ensina assim – que tenho a obrigação de ensinar em todos os momentos aos meus filhos sobre Deus.

Uma vez estava conversando com um tio meu, ainda não tínhamos filhos e ele disse que se tivesse um filho, não ensinaria que Deus é a única verdade. Achei engraçado. Perguntei se para ele essa era uma verdade, ele disse que sim, mas que queria que o filho tivesse acesso à pluralidade. Lembro-me de ter rido, achei meio ridículo, ele sabe. Perguntei se ele iria dizer ao filho que o amava, ele prontamente concordou, dizendo que isso verdade. Para mim, dizer aos meus filhos que Deus os ama, que criou o Universo, que Jesus é o único salvador são verdades tão concretas e reais quanto dizer que os amo.

Vamos à igreja semanalmente e, como trabalhamos na igreja, o Levi está acostumado a participar de tudo, inclusive o que não é exclusivo para crianças. Não temos babá, então ele participa de ensaios, algumas visitas, cultos, tudo tudo, desde que não seja na hora de dormir.

Aos domingos ele dorme mais tarde, porque considero mais importante ficarmos juntos no culto. A Clara ainda fica pouco na igreja, mas assim que engatinhar, vai ficar no berçário de lá, como foi com o Levi.

Não acredito que todas as religiões estejam corretas, mas nem acho que a minha é A religião. Gosto da igreja presbiteriana, de sua doutrina, considero uma igreja bíblica, é reformada, o que para mim é essencial, histórica, o que é importante também. A Bíblia está acima de qualquer religião, por isso, o dia em que a Igreja Presbiteriana do Brasil, da qual faço parte, se distanciar dela, não servirá para mim. A igreja local é o meio para eu servir a Deus, não um fim em si. O fim é Deus.

Mas, e o respeito? Bom, eu respeito todas as outras pessoas de outras religiões, cristãs ou não. Mas não concordo com elas e não é o que desejo para meus filhos. Enquanto estiverem sob minha guarda, enquanto forem menores, vão me seguir. Não tem a opção de ficar em casa, não podem escolher outra igreja. Quando forem donos de seus narizes, ok. Façam o que quiser, antes disso, necas.

Tem outra coisa. Nunca os obrigarei a assumirem um compromisso com a igreja local, porque isso tem que ser uma expressão da sua fé. Vou ensinar, como tenho feito, guiar. Caso não concordem, vão engolir até poderem arcar com suas decisões, mas depois, estarão livres.
Parece incoerente, mas é só prestar atenção e verá que não é. Minha responsabilidade não passa por cima de quem eles são. Um dia eles mesmos vão se questionar, me questionar e quero responder com clareza, calma, vão conhecer outras teorias, e acho tudo normal, saudável e espero que o façam, não que aceitem cegamente minha fé. Quero que desenvolvam um relacionamento com Deus, não que sigam regras vazias.

Isso daria um livro, não um post. Aqui está a introdução.

O politicamente correto parece bonito, mas é uma coluna do meio que não serve para nós aqui em casa e nem por isso nos autoriza a desrespeitar pessoas.

Uma coisa, uma coisa. Outra coisa, outra coisa.

Levi lendo a Bíblia para uma boneca.


sexta-feira, maio 25, 2012

Boas memórias

Essa semana tem muita gente nesse mundo de mães blogueiras pensando sobre o momento mais marcante/emocionante/especial que tiveram em relação à maternagem.

Não sei dizer precisamente qual o meu momento, porque quando lembro de um e penso "é esse!" me vejo em seguida com o mesmo sentimento em relação a outro.

Algumas coisas foram super, super, super.

Descobrir que estava grávida do Levi foi especial demais! Já tinha feito tratamento, já tinha tentado engravidar um tempão, repetido o trabamento e estava há quase um ano e meio tentando novamente. Nada de nada e a médica disse que seria melhor começarmos a pensar em adoção ou fertilização in vitro. Imagine, então, depois disso tudo, perceber que aquele atraso menstrual era diferente, que tinha uma barriguinha estranha, que tinha uma cintura estranha e fazer o exame de urina cedinho e ver duas listrinhas - uma beeem clarinha - e depois confirmar com o exame de sangue? Uma das melhores coisas da minha vida. Eu tinha certeza de que era menino, então ter a confirmação foi outra alegria imensa, porque eu queria menino.

O nascimento, ainda que por cesárea, às pressas, no fim da manhã do primeiro domingo de 2010, com a cara apreensiva do médico que já me vira em dias melhores e com a pressão melhor também, o nascimento foi incrível! Ouvir a voz do meu filho pela primeira vez, o primeiro filho, o meu menino.

A emoção surpresa ao ver um cotoquinho de 8 meses andando pela casa, com 9 andando pela rua sozinho, o primeiro "te amo"... sempre tem alguma coisa. A vida deles faz a nossa emocionante.

Do Levi posso separar a descoberta da gravidez como mais mais, o nascimento e quando disse que me amava.

Da Clara, tão petica ainda, não sei. Eu sabia que estava grávida e pronto. Não foi surpresa. Meu marido e eu conversamos numa tarde sobre filhos, achamos que seria legal parar de evitar, já tinha uma distância segura (por causa da cesárea). Dali uns dias eu já sabia que tinha gente na fôrma. Acho que foi emocionante saber que era menina, saber que nasceu bem depois de todo perrengue do fim da gestaçaõ e a assombração da pré-eclâmpsia de volta. Mas foi muito legal colocar meu primeiro macacãozinho nela. Eu amo olhar a foto em que o Levi a segura, com um pijaminho velhinho, cor desbotada e ela com meu macacão.

Sobre badulaques para guardar, tenho as pulseirinhas da maternidade, primeira roupa de cada, meu dito macacão, mecha de cabelo do Levi (a Clara nem tem ainda!), muitas fotos e o principal são cadernos com anotações que tenho feito e pretendo entregar quando estiverem adultos, saírem de casa ou ainda quando tiverem seus primeiros filhos - caso tenha paciência para tanto.


quarta-feira, maio 23, 2012

Desmamou mesmo?


Tive algumas dificuldades nos primeiros dias para amamentar o Levi, como já citei aqui. Foram poucos dias, muito difíceis, mas nos acertamos, a produção normalizou e tudo ok.

Ele sempre mamou muito, e sempre ficou feliz mamando. Era até engraçado ver.

Já maiorzinho, ele andava pela casa e voltava só para dar um gole, como quem mata a sede.
Isso de forma alguma atrapalhou a introdução de sólidos. Sempre foi bom de garfo também, contrariando muitas crenças e ditos por aí.

Mas o desmame... não foi exatamente como planejei. Gostaria de ter amamentado até os dois anos. Queria engravidar nesse tempo, como de fato aconteceu, quando ele estava com 1 ano e 3 meses. O problema é que comecei a ter contrações fortes, cólica de precisar ficar sentada de olhos fechados para suportar e o obstetra disse que eu precisava parar imediatamente.

Saí do consultório chorando. Liguei para a pediatra, ela disse que achaca preciptado tirar, porque ele gostava muito e estávamos bem assim, mas que conversaria com duas amigas ginecologistas humanizadas, com quem estava almoçando e me ligaria em seguida. 

As amigas ficaram divididas, mas por fim, por causa da cólica ser intensa, acharam que seria melhor interromper. Não tive coragem de tirar de vez, num dia só. Cortei o hábito de mamar logo de cara (aqueles golinhos) e mantive a de dormir e a da manhã, que sempre foi nosso momento especial, porque ele acordava, ia para nossa cama e ficava mamando e tagarelando.

Cortei a da noite, que me trazia mais desconforto. Ele sofreu. Chorou muito, o pai o acalmava, cedi algumas vezes porque nunca tinha deixado que ele chorasse por querer mamar.

Ele entendeu, acostumou. E, finalmente, tirei a da manhã. Conversei, expliquei, disse que ele tomaria um copo de leite morninho ainda na cama e é o que fazemos até hoje, porque é nosso momento especial, de ficar abraçados, de conversar, de beijar. Nós dois gostamos muito disso. 

O processo de desmame durou pouco mais de 2 meses, ou seja, ele desmamou de vez com 1 ano e 6/7 meses. Se por um lado eu sofri, acho que foi melhor. Conhecendo o meu filho sei que para ele seria mais difícil ceder enquanto tinha a irmã mamando. Ele entraria em guerra mesmo, ficaria triste. Ceder para ninguém é uma coisa, mas entregar para a irmã... tsc tsc. 

Algumas vezes durante esses 4 meses de vida da irmã ele chegou a pedir para mamar. “Só um poquitinho, mãe”. Nunca cedi porque via que era um pedido sorridente, não ressentido e ele sempre aceitou as negativas.

Mas anteontem foi fogo! Estávamos sozinhos em casa, ele pediu diversas vezes durante o dia e na hora de fazer a Clara dormir, foi o fim para ele. Começou a chorar, sentido de verdade.

“Mamãe, deixa a Clara e cuida de mim, me dá um mamazinho, ela não quer mais”.
“Não, filho, vc é menininho, não mama mais. Já termino aqui e cuido de você, ok?”
“Mamãe (chorando), eu quero nascer de novo prá ficar bebezinho e mamar”.

Ai, ai... além de malandro e inteligente, ele sabe me quebrar. Quaaase dei, mas sei que teria sido pior para todo mundo, então prometi que tiraria meu leite para ele num copo. Ele ficou quietinho para a irmã dormir logo e disse que tudo bem.

Dei um banho rápido nele e fomos para a cozinha. Tirei o leite, pouco, porque ele estava com pressa, ansioso. Ele tomou um golão tão satisfeito! E só. Não quis mais, agradeceu e pediu o outro leite para dormir. 

Acho que tinha um quê de curiosidade que aquele gole resolveu, desmistificou. Ele disse estava muito gostoso, mas desconfio. Talvez não estivesse assim tão gostoso para ele.

O fato é que resolveu. Pelo menos por enquanto, porque com criança a única verdade absoluta é que eles sempre mudam.

segunda-feira, maio 21, 2012

O primeiro "eu te amo"


Levi começou a falar as primeiras coisinhas com 8/9 meses. Falar mesmo, não aquela barulhada que eles fazem de mãmãmã, pápápá, que na verdade não são palavras como muitos gostam de dizer.

Falou “papai” bem certinho assim numa manhã. Acordou, o peguei no berço e ele foi para nossa cama mamar. Depois de mamar, ficou se sacudindo feliz, como sempre fazia, olhou para o Fer dormindo e falou “papai”. Perguntei o que ele tinha falado e ele repetiu “papai”. O pai mesmo tava no décimo sono e não ouviu. Saímos do quarto um pouco depois para abrir a lavanderia (a Sofia estava miando para entrar) e o Levi falou de novo, “paapai”. 

Era papai e pronto. Dali uns dias fomos para a Romênia. Ele travou, esqueceu-se do papai, das palavras e ficou mergulhado naquele mundo de novos sons. Adaptado, começou a falar sim, dá (sim em romeno), tau-tau (tchau tchau) e umas besteirinhas. Entendia tudo, nas duas línguas.

Voltamos para o Brasil e com um ano ele falava praticamente todas as palavras, não frases, mas tudo o que precisava pedia pelo nome. Progrediu rapidamente e logo ouvi o primeiro “te amo”. 

A gente quase morre, né?

Que coisa mais inebriante ouvir o filho dizendo essas duas palavrinhas. Parece que o mundo pára, que o tempo congela e os segundos podem ser sentidos até no paladar.

Isso faz mais de um ano. 

Mas não era exatamente o que queria contar. 

Hoje ele estava particularmente grudado em mim. Insistiu para mamar – desmamou durante minha gestação da Clara – e disse que queria nascer de novo prá mamar. Depois de muita conversa, beijo, abraço, o coloquei no banho enquanto fazia a Clara dormir. Ele saiu sozinho de lá e apareceu peladão e feliz “mãe, já joguei a água fora, viu?”. Vi, filho, tenho visto cada dia uma coisa nova.

Peguei o hidratante dele, cuequinha, camiseta de dormir e ele ficou sorrindo, dizendo que estava feliz. E me abraçou, pulou no colo e disse “mãe, te iubéc”. Hã? “Te iubéc, mãe, igual o papai.” Sorri feliz, orgulhosa, com aquela mesma sensação de mais de um ano atrás novamente.

Ele me ama. Mas ele também ma iubesti. É te iubesc, ele esqueceu uma letrinha. Não 
importa, tá começando, recomeçando a aprender a falar, agora igual ao papai. 

Levi, si eu. Si eu te iubesc mult. (Levi, eu também. Também te amo muito).

Romênia, com quase 10 meses, num outono lindo.

sábado, maio 19, 2012

Pão de fôrma integral

Hoje foi um dia cheio.

O Fernando saiu logo cedo para dar aula em outra cidade. Isso sempre significa mais trabalho para mim e dia completamente sem tempo nem para respirar. Vai, exagero.. até consigo respirar, não consigo é tomar banho, mas esqueçamos disso.

Tinha almoço suficiente para mim e para o Levi. Requentei um arroz de cereais e feijão, fritei dois bifes ultra macios que separara ontem, a salada estava pronta e tinha uma sobrinha de purê de batatas de ontem à noite, que o Levi ama e aproveitou. Para o jantar, já tinha demolhado ervilhas, que ficaram deliciosas refogadas com bacon, tomate e cebola, servidas com arroz branco - item raríssimo em casa, inclusive o pacote já era - com cenouras e omelete.

Quando vi que horas eram, pensei que daria tempo de fazer um pão para o café, já que os outros dois tinham terminado ontem. Estava querendo fazer um pão integral, as receitas que encontrei em lugares "de confiança" eram em medidas e eu, vergonhosamente, não tenho balança. Aprendi a fazer pães por observação e em volumes.

Peguei uma receita de que gosto, não minha preferida, mas de um pão muito bom, fofinho de fácil e adaptei um pouco. A original pode ser encontrada aqui. Ela foi a inspiração justamente por ser um pão fofo, leve, que me deu coragem para substituir a farinha pela integral, mais pesada e seca.

Meu marido e um amigo americano que está em casa tinham acabado de jantar quando o pão saiu do forno, há alguns minutos. As crianças estão dormindo, deu tempo de eu saborear duas fatias calmamente - coisa rara em vida de mãe de dois peticos - e praticamente não temos pão suficiente para o café da manhã, já que devoraram mais da metade desse aqui. Nem tudo é perfeito.

É tão, tão fácil fazer, que ninguém pode se desculpar com falta de tempo. Fiz a massa, deixei descansando e fui dar banho nas crias, amamentar, contar história, escovar os dentes. Voltei à cozinha, moldei em dois minutinhos e cumpri o restante do ritual noturno do filhote mais velho, uma vez que a petica dorme assim que é posta no berço.

Vamos ao que interessa.


Pão integral fácil, fácil

1 xícara de farinha de trigo
2 1/3 xícaras de farinha integral peneirada (juntar à massa o que foi peneirado, é só para a farinha não ficar socada) (pode acrescentar mais 1/3 se for necessário)
1 colher de sopa rasa de fermento granulado (5g) ou 15 g de fermento fresco
1 colher de chá de mel
4 colheres de sopa de azeite extra virgem
1 xícara de leite morno
½ xícara de água morna
1 ovo ligeiramente batido
½ colher de chá de sal

Aquecer o leite e a água (menos de 60º), juntar o fermento e o mel. Deixar descansar por até 10 minutos. Acrescentar o ovo, azeite, sal e a farinha aos poucos, mexendo com uma colher.
A massa pode até ficar grudenta no começo, mas é melhor não acrescentar farinha e sim sovar até estar elástica, não necessariamente seca. Como aqui é muito quente e anda seco, sempre prefiro que minhas massas fiquem um pouco pegajosas nessa etapa.
Deixar descansar por 1h30. Moldar, colocar em forma de bolo inglês untada e levemente enfarinhada (caso seja de silicone, como a minha, somente untar com manteiga) e deixar descansar novamente por 40 – 60 minutos, até que, quando pressionada, a marca não volte rapidamente. Aquecer o forno a 190º e assar por 25 minutos, até dourar. O pão deve estar com som de oco. Senão, é possível voltá-lo ao forno e assar por mais alguns minutos, observando atentamente pra não queimar.

Já sei que a foto é tenebrosa... mas o pão é delícia!



quarta-feira, maio 16, 2012

Alimentação, aqui em casa foi assim


O Mamatraca está falando sobre comida essa semana, eu já queria mesmo escrever sobre o assunto, aproveitei a deixa.

Aqui em casa posso falar feliz sobre o assunto.

Depois de uma dificuldade inicial na amamentação do Levi porque eu não tinha nem um pingo de colostro, as coisas se normalizaram. Ele perdeu peso até o 10º dia, mas, depois disso, ao completar um mês tinha engordado 1,7kg. Dá prá ver que entramos nos eixos.

A amamentação com a Clara é igualmente tranquila. Em nenhum dos dois casos tive fissuras, dor ou qualquer coisa semelhante. O Levi foi sem tomar água até os seis meses e a Clara vai seguir assim no que depender de mim. Digo de mim, porque pelo Levi ela já estaria comendo pizza.

Muita gente me importunava pelo fato de eu amamentar exclusivamente. “Ele nunca vai aprender a comer direito”, “criança que mama no peito dá trabalho na introdução de sólidos”, “não usa mamadeira? Ele nunca vai aprender a beber água”.

Tudo besteira. Tudo crendice. Tudo furado.

Quando percebi que o Levi estava realmente interessado em nossa comida faltava uma semana, pouco mais, para completar seis meses. Comprei um copinho e ofereci o suco que ele tentava pegar do meu copo, no restaurante do hotel em que estávamos. Ele provou, sorriu, provou novamente. Acabou. Os dias foram seguindo assim. Ele se interessava, eu dava uma provinha. Usei o fim do último mês para atiçar a curiosidade dele a respeito daquilo que comíamos, sem negar nada. Queria feijão? Eu molhava o dedo e dava. Queria café? Idem. 

No dia em que fez seis meses, peguei uma pera, cortei ao meio, colherzinha em riste, comecei a comer a outra metade, ele quis, dei. Cara de esquisito. Cara de quero mais. Cara de gostei.

Pera mais dois dias. Dei abóbora cozida no vapor. Dois dias, qualquer outra coisa. Se fosse fruta, in natura; legume, cozido no vapor. Sem temperos, sem misturas. Passei a dar um pouquinho do que eu comia com a colher dele. Nunca triturei comida, peneirei, nada. Aqui nunca teve comida de criança e comida de adulto. Se caldo de legumes industrializado não servia para ele, não servia para nós todos. Se ainda não era hora de frutos do mar para ele, todo mundo parou de comer. Achei que assim ele teria prazer em poder desfrutar da mesa toda. Parecia maldade dizer “isso é seu, o resto não”. Tomava o cuidado de repetir o cardápio pelo menos mais uma vez seguida para observar alergias e afins. Não teve nada. Amou tudo.

Ah! Minto. De-tes-tou banana. Mas ele é meu filho, precisava me dar esse orgulho. Eu detesto até o cheiro da banana. Achei justo ele ter repulsa pelo menos um período. Ele chorava quando tentávamos, por isso desistimos. Na Romênia, já com nove meses, ele quis a que o pai estava comendo. Aprendeu a comer banana na Romênia. Tem lógica? Criança nem sempre tem lógica. 

Não comia tudo numa refeição, ok. Comia e queria mais, ok. 

Só tomava o cuidado de não deixar mamar antes das refeições, por razões óbvias. Queria ensinar, não boicotar. 

Nunca teve recompensa, negociação. Não quer comer, também não enche os picuás e pica a mula da mesa.
Foi gostoso, tranquilo, normal. Continuou mamando e só tivemos 10 dias de recesso alimentício ao chegar a Europa, o que é absolutamente compreensível. Ele ficou só mamando durante esses 10 dias, sem comer nada. Depois passou.

O que ele come? Tudo o que comemos. Quase nada industrializado. Come pão, mas faço em casa, come alguma coisa doce, mas é feita por mim, com ingredientes bons, se tiver açúcar, é demerara.
Come pizza. Refrigerante nem pensar. Temos um truque para ocasiões em que há somente refrigerante como opção (na casa dos outros). Enchemos um copo com água e pingamos o refrigerante, ao que ele apelidou de “água de coca”. 

Quase não consumimos sucos. Acho desnecessário, tenho uma opinião não muito ortodoxa e não gosto de dar suco às crianças pequenas. Acho que é melhor fruta in natura. Só prá pincelar, porque não vou dar todos os dados, quanta frutose tem um copo de suco de maçã? E uma unidade da fruta? Pegou o raciocínio?

Mas, o que nós comemos? Tudo. Arroz e feijão em média, uma vez por semana. O resto pode ser bifum, panquecas, comida romena, mexicana, americana, paulistana, paraibana. Não importa. Raramente comemos a mesma coisa dois dias seguidos. 

Come lanche? Come, se eu fizer o pão e o hambúrguer. 

E ele está por perto quando cozinho. Dia desses estávamos só as crianças e eu e não tinha a menor ideia do que fazer de almoço. Abri a geladeira, ele colou em mim: “tá procurando o que, mamãe?”, “não sei, filho, algo para comer, o que você acha?”. Ele olhou a gaveta de legumes e decidiu “mãe, faz essa beringela aqui, ó”. E fiz mesmo.

Ele já cozinha também, do alto de seus dois anos. Já fez brownie sozinho e ficou delicioso. Eu colocava os ingredientes na xícara e ele colocava na tigela e mexia. 

Isso quer dizer que vivemos no mundo perfeito da alimentação? De jeito nenhum. Quer dizer que vivemos no mundo normal da alimentação. Só isso.

Ele come muito bem e muito em quantidade também. É magrelinha, com uma energia de assustar. Mas tem dias que não quer nada. Tem dia que come, repete, elogia (“mãe, isso aqui tá delícia!”).

Nós pais temos muitas expectativas com os marcos dos filhos e comer é um marco também. Claro que fiquei tensa em alguns dias, quando ele comida pouco – eu considerava pouco – ou quando não comia de tudo o que estava à mesa. Fiquei chateada mesmo foi com os 10 dias sem comer nada vezes nada. Mas sempre lutamos aqui para não parecer ansiosos com isso. Acredito que foi fundamental. Demos liberdade para comer sozinho, se sujar, sentir a textura. 

Se faço café, deixo sentir o cheiro do pó. Chamo, mostro, explico. Se ele questiona sobre o vidrinho de vinagre, deixo provar também. 

Sobre as besteiras, já mencionei acima. Industrializados, uma vez na vida e outra na morte. Doces caseiros, com moderação. Não conhece bicoito recheado, mas não entra aqui em casa nem para os adultos. Conhece chocolate, 50% cacau ou mais. 

A Clara está com quatro meses e se interessa muito por nossa comida. Mês que vem vou começar a dar a chance das provinhas no dedo e aguardar. 

Ela vai ter ajuda, um irmão mais velho bom de garfo e de papo.


9 meses

1 ano
2 anos