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Apesar de estar às portas da 9ª semana de gravidez, me dei conta de que praticamente não escrevi nada do que tenho sentido em canto algum.
Estava fazendo pesquisa num site que mostra as fases do feto e numa das páginas, tinha uma dica interessante sobre começar um blog, um diário (semanário...) com as sensações da gravidez, especialmente se fosse a primeira, porque daqui uns anos a tendÊncia é esquecer tudo ou quase tudo.
Realmente, quando li isso, lembrei do comentário de uma tia minha, anos atrás. Ela estava conversando com uma amiga sobre a gravidez do primeiro filho e disse que não tinha vomitado nada, não tinha sentido nada. Me intrometi e falei prá ela que tinha sim, vomitado muuitas vezes, inclusive em minha presença e que o comecinho tinha sido ruim nesse sentido “estomacal”. Ela riu e começou a perceber que tinha realmente esquecido de muitas coisas. Bom, acho que outras passam por isso e como não quero esquecer minhas fases, é melhor escrever.
Como já falei, descobri que estava grávida por um teste daqueles simples de farmácia.
Mas, antes disso, estava sentindo coisas estranhas. Tinha uma tontura esquisitíssima todas as vezes que me levantava e às vezes no meio de alguma atividade e tinha também muito sono. Estava precisando dormir entre as atividades pelo menos por 20 minutos para dar conta das coisas do dia-a-dia, especialmente dos discipulados.
Isso deve ter durado uns 20 dias, então descobri a gravidez, que explicou tudo.
Também percebe que estou mais “tolerância zero” do que já era. Não tenho paciência com coisas repetitivas, com gente pedante, com espera em filas e estou menos polida nas repostas também. Quando vejo, já falei.
A tontura e o sono praticamente sumiram mais ou menos uma semana depois de eu saber do bb. Aí aumentou uma fome esquisita que vinha me acometendo. Era repentina, de 3 em 3 horas e era de leão, sem poder esperar por ninguém.
Depois disso, passei a rejeitar comida e, embora tenha fome, não consigo comer bem como gostaria.
Não posso nem ver frango, porque morro de nojo, não consigo beber leite pela mesma razão e nem estou com pique para frituras. Refrigerante é apenas uma lembrança do passado e a água tem gosto ruim na minha boca.
Tenho tomado mais sorvete de creme que de outros sabores e não sinto vontade de comer doces.
Comida chinesa agrada ainda mais ao meu paladar e feijão verde me irrita. Feijão preto consigo comer, desde que seja na casa da Nadja, minha mãe-paraíba.
Falando nela, foi em sua casa que fiquei na última semana inteira, porque a reforma em casa está demorando mais do que esperávamos e não dava mais para dormir na casa de um casal onde estávamos ficando, porque eles vão receber visitas esses dias e porque fico preocupada de atrapalhar a vida deles. Eles são aposentados (ele é pastor) e os filhos estão longe de casa, então estão super acostumados com silêncio e não precisam se preocupar com comida, mas conosco lá, tive pena de ver a senhora sempre se esforçando para fazer alguma coisa que me agradasse... e às vezes precisávamos chegar tarde.
Na Praia de Campina, de onde voltei ontem, fiquei muito bem. Parecia que não estava grávida e não tive praticamente nenhum problema com alimentação. Mas o caminho de volta foi para me matar! Vomitei 4 vezes na estrada e mais uma antes de chegar aqui em casa, na entrada de nossa cidade.
Ah! Quase duas semanas atrás tive muita dor de estômago, mas isso tb passou.
Em geral, acho que é uma gravidez tranquila. Penso que se estivesse com minha casa em ordem, sem essa reforma, não teria quase nenhum problema, porque comeria o que quisesse, dormiria bem – não existe nada melhor que a minha cama – e poderia manter minha rotina sem sofrimento. Mas as coisas não são como a gente quer.
Amanhã, depois da ultrassonografia, devo ter mais novidades, afinal, deve ser o máximo ouvir o coraçãozinho do Feijão pela primeira vez.
Pela primeira vez não fiquei animada com decoração, músicas, hinos, brilhos, comidas.
Parece que de verdade não sobrou nada assim externo que me animasse com a data.
Natal é o nascimento de Cristo. Vamos combinar que não foi nessa data, provavelmente. Além disso, a data virou super comercial o que roubou muito de sua graça.
Esse ano em especial acho que muita coisa não tinha graça por tudo o que passei, pela morte do meu tio e primos e depois a doença do meu marido.
Para facilitar vem essa biópsia. Ninguém gosta de ouvir o nome desse exame. Parece que é um exame fadado a resultados ruins.
Bom, fazendo um balanço, um apanhado desse ano, chego à conclusão de que realmente não restou nada nesse natal que não fosse simplesmente o fato de lembrar do nascimento do meu Salvador.
Escrevendo assim até parece que é o de menos, mas na verdade é o importante. Acho que acabei ficando feliz por ser salva e só. Não havia nada que me roubasse a atenção esse ano, nada que me preocupasse em organização, nada que me cansasse e me tirasse o poder de raciocinar sobre o que tem valor em si mesmo, sem nada para ornamentar.
A dor é um santo remédio. A dor humaniza, amadurece, revela o que está escondido. Ela também é um termômetro de fé, pessoal e dos relacionamentos. A dor traz a noção exata do que somos, de nossas expectativas, sonhos e também das dúvidas e medos.
A dor esse ano me deu uma nova perspectiva. Primeiro roubando toda esperança e depois revelando o verdadeiro sentido da existência. Foi como voltar ao primeiro amor.
É isso. Minha dor me trouxe de volta ao primeiro amor, quando eu não nem sabia que estava me distanciando dele.
Quando estava voltando do enterro do tio Ailton e dos meninos, sozinha no avião, liguei o palm para ouvir algum mp3 e, como uma vitrola quebrada, deixei repetir a mesma frase por 5 horas de vôo: para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.
Que promessa maior que a da salvação? Só a da vida eterna!
Natal para mim esse ano é mais que nunca a certeza de que a encarnação do meu Deus trouxe a esperança da liberdade, da comunhão recuperada, da vida completa, da vida com sentido.
Natal para mim em 2008 foi a certeza de que o Salvador chegou. E isso é tudo o que eu poderia querer.