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sexta-feira, novembro 28, 2008

Ano III


Dia 26 fiz (emos) três anos de casada. Foi legal, apesar de não ser nada demais.
Ao mesmo tempo em que parece ter passado muito rápido, três anos não são propriamente uma vida, então há muito o que se viver (??).

No primeiro ano fomos para Barra de Camaratuba. Foi péssimo! O hotel era caríssimo e ruinzinho - foi indicação de uma "amiga" - e o que salvou foi uma jacuzzi, porque nem o clima tava muito bom. Estávamos irritados por qualquer coisa que nem sei mais.

O segundo ano foi no Maranhão. O Fernando tinha que ir para lá de qualquer maneira e acabamos juntando as duas coisas. Foi bom. Não foi melhor porque estávamos cansados de ter falado em várias igrejas etc. Ossos do ofício.

Esse ano a comunicação falhou e não conseguimos planejar nada com antecedência. Houve um casamento aqui na igreja sábado e o povo teria que viajar um dia depois do nosso aniversário. Ficamos meio confusos com as datas.

No dia 26 resolvemos ir para uma praia bem próxima, aproveitando que estaria vazia por ser meio de semana. Além do mais, não estávamos com pique de gastar porque esse ano já foi a cota (SP e Europa).

Foi ótimo! Acho que foi o melhor aniversário dos três. Aproveitamos bem, comemos bem, dormimos bem.

Mas somos péssimos nas fotos... sempre saímos horrorosos, por isso, posto uma foto da visão do nosso apartamento no hotel. E a corda da rede...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Iris

Antes de eu colocar uns outros nacionais de que gosto muito, aqui vai mais um internacional.

Foi uma das primeiras coisas que tentei tocar no violão - sem sucesso, porque era com pestana - e uma das primeiras que consegui traduzir sem ajuda de um dicionário (o tempo voa!!).

Linda a música, lindo o filme do qual ela é tema e quem não gostaria de ser a razão para alguém deixar a "eternidade"?

Aliás, acho que foi por isso que acabei casando. Tudo que meu marido precisou fazer foi dizer que tinha rodado metade do mundo procurando alguém por quem valesse à pena morrer - por causa do exemplo do marido ter que ser como Cristo é para com a igreja - e não tinha encontrado até me conhecer. Até pensei em não aceitar... mas depois me dei conta de que ele poderia muda de idéia...rs... Não foi bem isso, me dei conta de que isso mostrava que ele realmente queria estar comigo por quem eu era e não por uma ou outra qualidade, como a maioria dos caras que se aproximaram da minha vida.

Corajoso o pedido dele. E agora eu também tenho alguém por quem morreria. E ele sabe.

Fefê, sei que vc não entra muito aqui (já me ouve o dia inteiro e ainda ler o que escrevo?? seria demais!!), mas estamos perto do terceiro aniversário de casamento e foi legal lembrar agora, enquanto ouvia essa música de que quase 4 anos atrás aceitei seu pedido de casamento, num momento tão confuso da minha vida, tão delicado e que essa foi a melhor escolha.

Não conheço outro homem como você. Até hoje ainda fico impressionada com sua sinceridade - cortante, às vezes - com sua inocência e com o amor que tem por Deus.

Te iubesc mult!


quarta-feira, novembro 19, 2008

Kiss From a Rose

Ainda em "coisas para se ouvir", coloco aqui outra de minhas preferidas.
Kiss from a rose não é para mim a trilha do Batman. É a trilha de uma época amalucada da minha vida. Ouví-la é fazer uma retrospectiva muito boa!

O Seal prova que homem não precisa ser bonito... precisa ser charmoso.

O clipe é tosco - não há nada perfeito.

Continuo piegas (será um novo estado??).

Melhores trechos?? Nem sei...

"... You became the light on the dark side of me... There is so much a man can tell you, So much he can say. You remain, My power, my pleasure, my pain, baby... "




sábado, novembro 15, 2008

Final Feliz




Nem me pergunte a razão, mas sou apaixonada por essa música...
Acho que é porque tem gente muito covarde para fazer o que gostaria de fazer e é bom ouvir alguém cantar "não há mal nenhum gostar assim" ou "chega de fingir, eu não tenho nada a esconder", e mais "não tô nem aí pro que dizem... eu quero é ser feliz e viver prá ti"...
Ah! Fala sério?
Rapazes, se vocês cantassem, declamassem, colocassem para tocar algo assim uma vez por semana para suas queridinhas, garanto que valeria à pena.

É isso... estou piegas hoje.

Farei uma sessão diferente essa semana, já que estou mesmo sem tempo - eternamente - e sem muita vontade de escrever, postarei coisas que gosto de ouvir. Não apenas as músicas em si das quais gosto, porque gosto de umas músicas totalmente sem letra, mas as letras que gosto de ouvir.
Coisas para sussurrar ao pé do ouvido.

sábado, novembro 01, 2008

Discípulo (Grupo Logos)

Há dias que me sinto um discípulo
Naquele barco em meio ao temporal
As ondas são maiores que a minha fé
E sem saber pra onde ir, eu fico ali

Eu posso ver o medo em outras caras
Naquele barco todos passam mal.
Não há quem tenha força tal que pare
Ou que devolva o rumo àquele nau.

Mas um de nós se lembra e acorda o Mestre
Que estava todo tempo ali também
Ordena calma às águas.
Aumenta-nos a fé,
Pra não mais esquecemos que Ele está ali.

Ele está presente é o que nos basta!
Não importa a hora e o que acontecer!
Pode a tempestade vir me abater ...
Jesus está comigo eu vou vencer!

Assim são nossas vidas hoje em dia
Nos vales tão profundos onde a dor,
Angústias, medos, traumas e decepções
Se mostram prontos a nos abater.

Aí é só lembrar do nosso Mestre.
Jesus estava lá e está aqui também.
Ordena paz pra alma.
Aumenta-nos a fé.
Restaura nossas vidas pois está aqui.

Ele está presente é o que nos basta!
Não importa a hora e o que acontecer!
Pode a tempestade vir me abater ...
Jesus está comigo eu vou vencer!

quinta-feira, outubro 23, 2008

Aborto espontâneo

Hoje estava olhando as manchetes no site da UOL e vi uma coluna que tratava sobre aborto espontâneo. Pensei que fosse um documentário, um médico comentando, mas era um depoimento de uma jornalista que sofreu 3 abortos espontâneos esse ano.

Não tive dó, mas é inevitável pensar no assunto.

Quero muito engravidar e acho que talvez esse seja meu maior vilão hoje. O desejo excessivo que gera certa ansiedade. Tenho sim alguns problemas, mas de acordo com a médica, o tratamento foi bom e tenho chances normais de engravidar.

Quando a gente entra nesse mundo das mulheres que não conseguem engravidar facilmente como as outras, um monte de sentimentos costuma invadir a mente, o coração, a alma.
Vem a decepção cada vez que a menstruação chega...
Junto com ela, muitas vezes vem a tristeza de pensar "não foi novamente" e tentar reverter para um "não foi AINDA"...

Vem também uma certa revolta. Como é que eu não consigo engravidar? Sou casada, saudável, tenho o desejo para ser mãe, tenho um marido que quer ser pai, temos como sustentar um bebê... por que não posso ter?
E a revolta aumenta quando olhamos por outro lado.
Como é que essa menina de 13 anos engravidou depois de uma relação? Como é que essa mulher que já deu 5 de seus filhos engravida novamente? Como é que essa menina idiota que já deu um filho, engravida novamente, tenta abortar por 5 vezes e ainda vai ter outro bebê?

Parece que o cérebro da gente entra num Juicer da Walita. Mistura tudo, tritura tudo, moe tudo e de repente é só um suco amargo para descer goela abaixo.

Dentro da minha limitaçãoc, uso o Salmo 73 para perguntar "por que mulheres ímpias engravidam e as justas sofrem abortos espontâneos?"

Mas não fiquei revoltada com Deus. E foi isso que me fez sair do estado de nervoso em que estava até umas semanas atrás, mais precisamente, mês passado.

Ele me fez sossegar mês passado. Estou mais preparada para aceitar até se não puder mesmo engravidar. Não estou mais estressada contando os dias férteis. Se acontecer, aconteceu. Não quero mais ficar programando um filho como se fosse a aquisição de um bem valioso.

Talvez Deus esteja usando esse período para me fazer entender cada vez melhor que os filhos são flechas DELE, que talvez ele coloque em minhas mãos, mas não por minha causa, não por causa do meu marido, e sim porque ele quer que essas flechas sejam lançadas da direção da minha casa para a que Ele apontar.

Bom, o que tenho a dizer é que estou disposta a ser mãe e a não ser. Estou disposta a ser o que DEus quiser que eu seja. Claro que nesse caminho acredito que virão ainda períodos mais fáceis e também vales escuros, mas confio que Deus se compadece de mim, sabe como me sinto em relação a tudo isso e quero que ele faça a Sua vontade, não a minha, porque a minha várias vezes é pautada por egoísmo (pedem e não recebem porque pedem mal, diz Tiago), por mesquinhez, por orgulho e a dele é boa, perfeita e agradável. Sempre.

Até num aborto espontâneo.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Iguais

Porque somos e sempre seremos iguais.
Sempre os mesmos bebês chorões, como os mesmos temores do escuro, do frio excessivo, do sol escaldante ao meio dia.
E assim deve ser. Porque de alguma forma, ligados pelo mesmo tipo de essência e consciência, trazemos em nós as dúvidas e respostas de toda a humanidade, que foi, que é e que há de ser.
Distinguem-se as cores, alguns sotaques, gostos, gestos e jeitos, mas ainda assim, somos essencialmente iguais.
Olho esses iguais à minha volta e penso como em meio à tanta diferença nos parecemos.
Está na raiva, no amor. Na necessidade de crescer, mudar, aprender, compartilhar, somar. Está no fato de andarmos por vontade própria, ainda que inconsciente, por nossas próprias verdades que também são de outros.

terça-feira, setembro 30, 2008

Frase do dia

“Qualquer igreja que não está seriamente envolvida no cumprimento da Grande Comissão renunciou seu direito bíblico de existir.”

(Oswald J. Smith)‏

sexta-feira, setembro 26, 2008

Pensamento do Dia...

"Acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro."
Groucho Marx

*Amei isso! Roubei da Paula Potter.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Sem Palavras

Quisera eu saber falar

Acerca do que sinto.

Ledo engano pensar que tal sentimento

Pudesse ser traduzido em palavras.


Por mais que me esforce,

Tente e queira,

Parece impossível!


Letras e sentimentos fundem-se

E confundem-se

Transformando tudo

Num emaranhado indecifrável.


Minhas idéias escapam entre os dedos

Enquanto tento organizá-las

Em expressão.


Para que falar

Se poderia demonstrar?

Eis a grande questão.

Meu medo ainda é maior.


Queria correr até você

Abraçá-la e beijá-la

Mas o receio impede-me.


Daria tudo por um minuto ao seu lado.

Trocaria o melhor de mim

Se ao menos uma vez

Pudesse tocá-la.


Durmo pensando em você,

Sonho com você

E nem nos sonhos conseguimos ser felizes.


As luzes me atrapalham.

Brilham

E misturam as imagens

Para que eu a perca.


Dura coisa tem sido esta:

Ficar observando-a em sonhos

E contemplando-a apenas.


Tenho sede da tua presença,

Sede dos teus beijos,

Sede do teu corpo,

Uma ânsia quase possessiva.


Temo nosso encontro.

Tanto a amo que não saberei agir.

Como será quando a abraçar?


Como será o primeiro contato?

Permaneceremos nos olhando

Ou aproveitaremos cada instante

Para saciar nossos corpos?


Não sei.

E esse não saber me angustia

Pois temo não ter reação.


Quando você vier será outono.

Folhas secas,

Uma doce brisa,

Tardes amareladas e noites frias.


Não importa qual seja o clima quando a encontrar.

Em qualquer estação terá abrigo em mim,

Nossas noites serão cálidas mesmo no inverno.


Nossos dias serão alegres e floridos.

O universo celebrará conosco,

Os ventos levarão e proclamarão nosso amor

E os pássaros terão novo tema para seu canto.


Por enquanto, tudo é sonho

Tudo é fantasia

E ainda estou só.


Por faltar talento e engenho,

Valho-me da natureza.

Sinta o doce vento e ali estarei,

E na solidão do entardecer sempre me encontrará.


Velando por nós,

Esperando pacientemente,

Emudecido de amor

Por não saber falar acerca do que sinto.


*coisas que nunca ninguém leu...


quarta-feira, setembro 17, 2008

Seis anos

Dia 31 de agosto fez 6 anos que pisei na Paraíba pela primeira vez.
Cheguei em João Pessoa 12:20 horas. Desci do avião sentindo um calor enorme por causa do ar quente que não combinava com os tênis jeans de cano médio, nem com a blusa de malha que estava usando.
Liguei para minha avó. Tínhamos nos estranhado antes de minha viagem, porque ela não queria que eu viesse de jeito nenhum e ela chegou a me falar que eu deveria ligar só quando estivesse aqui, quando pisasse na Paraíba porque enquanto isso não acontecesse, ela não acreditaria.
Ela me pareceu emocionada. Acabou "concedendo sua bênção", meio que forçada; não tinha mais o que fazer.
Lembro de ter olhado ao meu redor, lembro do meu coração ter disparado.
Quanta coisa mudou! Precisaria de mais que um post para documentar uma vida de seis anos.
No fim das contas, hoje acho que foi a coisa mais acertada da minha vida ter vindo para cá, ainda que a família tenha resistido um bocado.
Acho também que trocar certos sonhos por este sonho aqui, custou e custa muito, às vezes tem um peso enorme, mas também confere uma satisfação que nenhuma outra coisa que eu fizesse poderia me trazer.
O resto sempre dá tempo para fazer depois e se não der, tudo bem.
Acredito que esses anos serviram para eu crescer como ser humano, como cristã, como mulher.
Vim com 20 anos, cabelos curtíssimos, recém pintados de castanho escuro para disfarçar o dourado que usava naquele mês; trouxe na bagagem tudo que achava que seria suficiente para seis meses (absorvente, shampoo, creme para o corpo), tinha um namoro meio indefinido e do qual ninguém sabia...
Agora estou com 26 anos. Cabelos naturais e compridos. A bagagem provisória deu lugar a uma casa, gata e cachorra. O namoro indefinido deu lugar ao casamento.
Não mudou o mesmo coração disparado quando chego no aeroporto de João Pessoa, seja voltando da Europa ou de São Paulo.
Não mudou achar a entrada da cidade linda toda vez que passo por ela e pensar "ainda bem que não era Mamanguape".
Não mudou a correria, talvez tenha até aumentado.
E não mudou a satisfação cada vez que deito, mesmo morta de cansaço, sabendo que mais um dia, fiz o que gosto de fazer, o que sei que fui chamada a fazer.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Considerações Pessoais 1

Mesmo sabendo muitas coisas a respeito de muitas coisas (...), às vezes é preciso calar.
As pessoas se chateiam quando percebem que alguém sabe o que elas sabem ou um pouco mais do que elas sabem. Em geral, as pessoas gostam de confirmar que você não sabe e se alegram na arte de ensinar até o óbvio.
Ser "falso", pode soar como virtude.
As pessoas não se alegram pelo que os outros são, mas pelo que elas mesmas são.
Pessoas sentem-se bem quando são exaltadas em suas características, sejam realmente surpreendentes ou não.

terça-feira, setembro 09, 2008

Considerações Pessoais

A partir de hoje, sempre que estiver sem tempo, publicarei alguma de minhas considerações sobre as coisas de maneira geral. Estou com muita vontade de postar algo que escrevi, mas igualmente sem tempo. Quase não vi que tinha comentário para moderar!

Começarei com coisas simples, mas que me incomodam e/ou são importantes para mim.

A saber:


É preciso evitar reclamar demais a respeito de todas as coisas que acontecem e são diferentes do meu jeito e gosto.
Reclamar quando uma coisa é realmente ruim não é problema, mas viver discutindo com os outros sobre verdades relativas, é perda de tempo e neurônios.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Considerações Mineiras

"Quem muito fala, dá bom-dia a cavalo."

Minha primeira máquina de costura

Tem coisas que não mudam nunca.
O tempo passa, a gente pensa que está mutanto (não digitei errado, quis escrever com T mesmo) e de repente, aos 26 anos descobre que tem dentro de si a mesma pessoinha que tinha aos 6, 7 e 8 anos.
Faz quase 20 anos uma senhora da igreja, esposa de um de nossos presbíteros, me ensinou a costurar. A coitada ficou responsável para cuidar de mim e meus irmãos uns dias, não sei bem a situação, mas ela, costureira, ocupadíssima e sem saber o que fazer com os pirralhos - a saber, éramos três - tinha que continuar trabalhando e ainda virar mãe de três sem ter um sequer (ela e o marido não puderam ter filhos, embora o desejassem muito).
E fez o que sabia fazer bem: costurou. Lembro dela me levando entre as máquinas de sua sala, e lembro de ter cortado tecido para eu ver, de ter me mostrado como se fazia cada passo de sua atividade.
Me enfeitiçou na hora!
Fiquie vidrada por aquela coisa de máquina, tesoura, que já era mesmo uma paixão desde antes dessa idade e ainda é, e tecidos.
O interessante foi que fiquei encantada com os retalhos. Via nos retalhos dela a grande chance de eu ter roupas feitas por mim pra minhas bonecas.
Antes de eu ir embora, ela fez para mim, no mesmo papel que usava para os seus, moldes para minha Barbie aeromoça. Fez molde de saia, vestido, calça, bata... e como é uma pessoa com muito tutano na mente, me deu uma sacola de retalhos.
Carreguei aquilo comigo para aca sa da minha avó como se fosse o bem mais precioso da minha vida!
Minha avó perdeu naquele dia um carretel e uma agulha, que foram cedidas para eu começar meu ofício de costureira oficial da Barbie.
Quando o fim de semana acabou e meu pai me levou de volta para a casa da minha mãe, ela ficou meio revoltada por ver tanta tralha na minha mala, mas acabou prmitindo que ficasse comigo.
Peguei tanto gosto pela coisa que passei a fazer peças até para mim e aprendi a fazer consertos simples à mão - por anos fui a "fazedora" de barras da família da minha mãe.
Aos 10 anos ganhei minha primeira máquina de cotura. Como era linad!
E funcionava mesmo! Com umas pilhas ou com a manivela. E não tinha bobina, então a costura tinha que ser muito bem feita para ficar presa de verdade.
Aprendi a mexer no trem e esse foi um dos meus presentes favoritos anos a fio.
Um dia, já mais elha, perto dos 15 anos, minhna mãe pediu para eu dar à ujma de minhas primas. Acabei cedendo e me arrependo amargamente por isso até hoje.
Ontem fui à cidade vizinha e comprei uma máquina de costura. Não é com flores desenhadas, nem movida à pilhas. Evoluiu um tanto, ficou mais complicada de usar (tem que encher as bobinas =[ ) mas dentro de mim, quando sentei para testar os vários pontos e ver se eu ainda sabia alguma coisa, estava a mesma menina de quase 20 anos atrás. Não tinha uma Barbie ao lado, nem a Lúcia para dar as dicas, mas tinha o mesmo desejo, a mesma alegria, o mesmo desafio.
Assim que coloquei a linha, consertei dois shorts que estavam encostados esperando eu lembrar de mandar para a costureira, com a mesma atenção que dispensei para fazer a primeira saia de minha boneca.
Acho que todo mundo muda o tempo inteiro e ao mesmo tempo a essência permanece intacta.
Acho que a gente cresce e amadurece par poder enxergar que o sentido das coisas está naquilo que fazíamos naturalmente antes de aprender a ser quem queríamos ser.
E acho que quanto mais se anda para frente, mais se enxerga o que ficou para trás. Como uma pintura de pontilhismo. De perto não tem sentido algum, parece apenas tinta que espirrou na tela, mas de longe pode ser a mais bela das pinturas, um Monet...
Antes eu via apenas uns pontos, agora começo a ver que eles formam figuras, gentes, cores e lugares. Espero poder ter a sensibilidade de um dia, no futuro, enxergar a grande tela da minha vida, pelos olhos da experiência, sem nunca perder a alegria infantil e ingênua do passado.


terça-feira, agosto 26, 2008

Última Moeda

Aconteceu algo legal esses dias aqui na igreja. Mais precisamente, domingo, pela manhã.
Uma senhora me procurou, bem sem graça, com uma sacolinha vermelha fechada. Colocou na minha mão, sorriu e disse que soube que a igreja estava com poucos panos de prato na cozinha e que esse mês tinha "pegado em dinheiro", por isso queria fazer uma oferta especial. Ao abrir a sacola, vi os quatro panos de prato, novinhos, com estampas bonitas, a barra feita.
Fiquei muito emocionada.
Mas pano de prato nem é algo caro, por que me emocionar?
Porque essa senhora vive com menos de R$50,00 por mês para sua alimentação e quando ela diz que "pegou em dinheiro", ou é porque a filha mandou algo de SP (a filha não está em boa situação tb), ou é porque conseguiu um atestado médico para receber meio salário mínimo como "encostada" já que não consegue sua aposentadoria, ainda que tenha trabalhado todos os anos de sua vida, feito escrava. O patrão não a registrou, nunca pagou seus encargos tributários e morreu sem deixar nem um presente para essa mulher, que beirando os 70 anos, doente com diabetes e osteoporose não consegue resolver a questão de sua aposentadoria.
Lembrei daquela viúva da Bíblia, que deu sua última moeda.
Às vezes acho que essa senhora de nossa igreja age da mesma forma. E é tão sincera, tão humilde que não entrega nada na frente das pessoas e faz questão de falar comigo a sós quando tem algum dinheiro que quer ofertar.
Espero que da mesma forma, Deus olhe para ela, como Jesus olhou para aquela viúva e que se compadeça de sua situação, permitindo que ela consiga pelo menos a aposentadoria que garantirá pelo menos uma alimentação melhor para essa mulher.
Ela tem dado tudo o que tem, ainda que pareça pouco.
Qualquer um de nós pode comprar quatro panos, mas quase nenhum de nós pode ofertar sequer um.
Quero aprender com essa senhora a jamais segurar minha última moeda, colocando minha confiança somente em Deus e não no que estiver no meu bolso.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Memórias tristes

Não sei bem a razão, talvez nem haja nada especial, mas hoje quis olhar uma foto do carro do meu tio.
Foi fácil achar na internet, nem precisei recorrer à família, o que até facilitou para mim. Queria olhar o carro novamente. Fiquei procurando marcas de sangue, mas não é muito fácil encontrar sangue num carro vermelho, muito menos numa foto ruim.
Tento imaginar às vezes como eles estavam dentro do carro, sobre o que falavam, se viriam mesmo para cá ou se ele tava só tentando me deixar feliz dizendo que se desse estenderia a viagem até minha casa.
Tem horas que dá uma saudade tão dolorida, uma vontade de ir embora tb, de encontrar com todos eles.
Outras horas - e essas são a grande maioria - tenho vontade de não parar mais para pensar nisso, de fazer algo útil da minha vida, de servir gente pobre e miserável até eu morrer para pelo menos, enquanto estiver aqui, sentir que vale à pena passar essa tristeza, que vale mesmo continuar a viver.
Ontem meu marido passou muito mal, achamos que ele tem asma, e hoje ele cogitou a idéia de irmos embora daqui se ele não melhorar, talvez para um lugar mais desenvolvido.
Mas a não ser que seja caso de risco de morte, não penso em ir para lugar melhor. Quero ir para lugar pior, encher minha vida e meu tempo com os outros, servindo aos outros em suas necessidades emocionais e espirituais e se puder, até físicas. Mas não quero nada melhor.
Melhor para que? Para ganhar bem (sou voluntária aqui)? Para sair mais? Para voltar à vidinha social de SP? Não dá mais para mim.
Não quero chegar aos 50 anos, 70, que seja, olhar par atrás e perceber que não deixei um rastro bom na vida dos outros, que gastei todos meus dias de força e juventude para mim mesma.
Um dia isso acaba. Seja com o fim do mundo - sim, acredito piamente nisso - seja com minha morte, a vida tem fim nesse plano. Depois daqui, posso ficar tranqüila, estarei bem para sempre, mas enquanto estiver nessa terra, não quero ser apenas mais uma pessoa, um número, mais um ser, mas quero ser alguém útil, alguém com quem as pessoas podem contar.
Isso me faz ter razão prá não querer morrer quando a tristeza me invade.
Isso me mantém sã.
Isso me faz sentir viva.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Dia dos Pais

Foi ontem, tudo bem, mas ontem estava ocupada o dia inteiro
De manhã com as crianças da EBD, à tarde num almoço com um pastor amigo nosso e sua família, no fim da tarde, tive ensaio com o grupo de louvor e à noite o culto.

N EBD fizemos a festa de premiação dos alunos. Cada vez que eles terminam uma revista fazemos isso para poder estimular a cuidarem de suas revistas, decorar os versículos etc.

Então, ontem teve bolo, refrigerante, presente para os vencedores e segundos lugares e também uma atividade manual para entregarem aos pais.

Na hora de pintar as lembranças, fiquei dizendo às crianças que os pais ficariam felizes em receber o presente deles, que era pra capricharem, essas coisas, até que um aluno me surpreendeu:

- Meu pai é um merda! - ele gritou.

As outras crianças até fizeram silêncio. As professoras que me ajudavam também ficaram um pouco assustadas. Não dava prá dizer aquilo daquele jeito. tinha que conversar com ele. Perguntei a razão de estar tão chateado com o pai dele (o menino tem só 6 anos) e ele começou a explicar que o pai tinha casado com a mãe dele e depois estava se abraçando com outras mulheres.

Tive vontade de chorar. Tentei conversar com esse menino, a sós mais tarde, mas ele não queria entregar a lembrança ao pai. Disse para ele entregar à mãe, que ela ficaria feliz também. Mas ele não tava querendo conversa comigo, estava muito agitado.

Depois que todas as crianças foram embora, ele permaneceu porque a mola que o traz à igreja tinha umas coisas para fazer antes de ir embora.

E ele estava muito agitado, subindo no portão, nas cadeiras, nas mesas. Como eu já sabia a razão, nem falei mais nada; resolvi deixar o pobre do menino em paz uns minutos.

Meu marido percebeu que ele estava no portão e ficou com medo dele cair, então foi até lá conversar com ele, pedir para descer.

Foi incrível a reação do menino! Ele desceu, sentou num banco e ficou conversando com meu marido, como se fossem melhores amigos.

Depois subiu no colo dele e ficou como um bebezinho. Deu um beijo na bochecha dele e se ajeitou agarrando seu pescoço.

Aquele menino é uma graça! Muito inteligente, lê bem, com fluência, aprende as lições, mas é muito bravo, muito nervoso e ontem foi a primeira vez que o vi ficar tão bonzinho com alguém. Ele sente falta da figura do pai, de um homem que o abrace, que o beije. De um homem com quem ele possa conversar e isso ficou mais que claro quando se aproximou de meu marido daquela forma.

Sou feliz por ter tido um pai presente mesmo que nossa vida tenha sido toda meio maluca, que eu seja filha de pais separados, nunca poderei me queixar de que isso fez meu pai se tornar ausente em minha vida.

Espero, se chegar a ter um filho, que meu marido e eu possamos oferecer a segurança que uma criança precisa, o carinho, a disciplina e o amor que percebo que muitos pais e mães não têm conseguido suprir.

E fica aqui meu registro de que amo muito meu pai, que sinto saudades dele todos os dias e que me sinto privilegiada, numa multidão de pais ausentes, por ter o meu tão próximo.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Coisas importantes

. Ficar em casa.
. Ficar com a família.
. Ficar sozinha.
. Ler.
. Ouvir música.
. Falar com amigos.
. Chorar com amigos.
. Abraçar amigos.
. Amigos!
. Computador.
. Descobrir que há vida sem computador.
. Exercitar-se.
. Dormir "até cansar".
. Casar.
. Não casar.
. Descobrir que enxerga melhor que pensava.
. Tocar um instrumento (ainda que mal).
. Falar menos...
. Saber libras.
. Saber inglês.
. Saber espanhol.
. Saber romeno (nem para todo mundo).
. Desenhar.
. Cozinhar.
. Aprender um novo instrumento (flauta irlandesa é a da vez).
. Ter animais.
. Trabalhar.
. Morgar.

Estar viva...