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segunda-feira, junho 04, 2012

Politicamente incorreto


O debate sobre religião paira sobre grupos diversos e, claro, não ficaria de fora da maternagem.

Eis que o Mamatraca novamente entra com um tema para o qual meu comment ficaria demasiado longo e, portanto, não seria legal. Por isso, escrevi aqui, aproveitando para tratar de algo que considero primordial.
Quando vi o vídeo das meninas, concordei parcialmente com cada uma, mas tenho uma opinião própria, construída anos a fio. 

Vamos por partes como diria Jack, o estripador.

Temos religião em casa. Somos presbiterianos. 

Nossos dois filhos foram batizados – na Presbiteriana não há padrinhos, são os pais que apresentam e o pastor local ou convidado batiza – e o próximo (próximos??) também será. Ensino o Levi as coisas normais da vida, como qualquer mãe, mas tudo o que acontece é motivo para que eu o ensine também sobre nossa fé. Não fico discursando com ele. É um processo natural. Quando vemos um passarinho, conto o que o passarinho faz, conversamos sobre onde é a casinha do passarinho, o que ele come e aproveito prá dizer, por exemplo: “filho, viu que lindo o passarinho que Deus fez?”.  

Para alguns soa lavagem cerebral. Para mim, é a pura verdade. É no que acredito mesmo, não acho que outra verdade coexiste com essa. Acho que é essa a única verdade. Avisei no título que seria politicamente incorreta.

Essa abordagem serve para tudo e não penso muito sobre ela, embora não a negligencie, porque acredito também – a Bíblia ensina assim – que tenho a obrigação de ensinar em todos os momentos aos meus filhos sobre Deus.

Uma vez estava conversando com um tio meu, ainda não tínhamos filhos e ele disse que se tivesse um filho, não ensinaria que Deus é a única verdade. Achei engraçado. Perguntei se para ele essa era uma verdade, ele disse que sim, mas que queria que o filho tivesse acesso à pluralidade. Lembro-me de ter rido, achei meio ridículo, ele sabe. Perguntei se ele iria dizer ao filho que o amava, ele prontamente concordou, dizendo que isso verdade. Para mim, dizer aos meus filhos que Deus os ama, que criou o Universo, que Jesus é o único salvador são verdades tão concretas e reais quanto dizer que os amo.

Vamos à igreja semanalmente e, como trabalhamos na igreja, o Levi está acostumado a participar de tudo, inclusive o que não é exclusivo para crianças. Não temos babá, então ele participa de ensaios, algumas visitas, cultos, tudo tudo, desde que não seja na hora de dormir.

Aos domingos ele dorme mais tarde, porque considero mais importante ficarmos juntos no culto. A Clara ainda fica pouco na igreja, mas assim que engatinhar, vai ficar no berçário de lá, como foi com o Levi.

Não acredito que todas as religiões estejam corretas, mas nem acho que a minha é A religião. Gosto da igreja presbiteriana, de sua doutrina, considero uma igreja bíblica, é reformada, o que para mim é essencial, histórica, o que é importante também. A Bíblia está acima de qualquer religião, por isso, o dia em que a Igreja Presbiteriana do Brasil, da qual faço parte, se distanciar dela, não servirá para mim. A igreja local é o meio para eu servir a Deus, não um fim em si. O fim é Deus.

Mas, e o respeito? Bom, eu respeito todas as outras pessoas de outras religiões, cristãs ou não. Mas não concordo com elas e não é o que desejo para meus filhos. Enquanto estiverem sob minha guarda, enquanto forem menores, vão me seguir. Não tem a opção de ficar em casa, não podem escolher outra igreja. Quando forem donos de seus narizes, ok. Façam o que quiser, antes disso, necas.

Tem outra coisa. Nunca os obrigarei a assumirem um compromisso com a igreja local, porque isso tem que ser uma expressão da sua fé. Vou ensinar, como tenho feito, guiar. Caso não concordem, vão engolir até poderem arcar com suas decisões, mas depois, estarão livres.
Parece incoerente, mas é só prestar atenção e verá que não é. Minha responsabilidade não passa por cima de quem eles são. Um dia eles mesmos vão se questionar, me questionar e quero responder com clareza, calma, vão conhecer outras teorias, e acho tudo normal, saudável e espero que o façam, não que aceitem cegamente minha fé. Quero que desenvolvam um relacionamento com Deus, não que sigam regras vazias.

Isso daria um livro, não um post. Aqui está a introdução.

O politicamente correto parece bonito, mas é uma coluna do meio que não serve para nós aqui em casa e nem por isso nos autoriza a desrespeitar pessoas.

Uma coisa, uma coisa. Outra coisa, outra coisa.

Levi lendo a Bíblia para uma boneca.


sexta-feira, maio 25, 2012

Boas memórias

Essa semana tem muita gente nesse mundo de mães blogueiras pensando sobre o momento mais marcante/emocionante/especial que tiveram em relação à maternagem.

Não sei dizer precisamente qual o meu momento, porque quando lembro de um e penso "é esse!" me vejo em seguida com o mesmo sentimento em relação a outro.

Algumas coisas foram super, super, super.

Descobrir que estava grávida do Levi foi especial demais! Já tinha feito tratamento, já tinha tentado engravidar um tempão, repetido o trabamento e estava há quase um ano e meio tentando novamente. Nada de nada e a médica disse que seria melhor começarmos a pensar em adoção ou fertilização in vitro. Imagine, então, depois disso tudo, perceber que aquele atraso menstrual era diferente, que tinha uma barriguinha estranha, que tinha uma cintura estranha e fazer o exame de urina cedinho e ver duas listrinhas - uma beeem clarinha - e depois confirmar com o exame de sangue? Uma das melhores coisas da minha vida. Eu tinha certeza de que era menino, então ter a confirmação foi outra alegria imensa, porque eu queria menino.

O nascimento, ainda que por cesárea, às pressas, no fim da manhã do primeiro domingo de 2010, com a cara apreensiva do médico que já me vira em dias melhores e com a pressão melhor também, o nascimento foi incrível! Ouvir a voz do meu filho pela primeira vez, o primeiro filho, o meu menino.

A emoção surpresa ao ver um cotoquinho de 8 meses andando pela casa, com 9 andando pela rua sozinho, o primeiro "te amo"... sempre tem alguma coisa. A vida deles faz a nossa emocionante.

Do Levi posso separar a descoberta da gravidez como mais mais, o nascimento e quando disse que me amava.

Da Clara, tão petica ainda, não sei. Eu sabia que estava grávida e pronto. Não foi surpresa. Meu marido e eu conversamos numa tarde sobre filhos, achamos que seria legal parar de evitar, já tinha uma distância segura (por causa da cesárea). Dali uns dias eu já sabia que tinha gente na fôrma. Acho que foi emocionante saber que era menina, saber que nasceu bem depois de todo perrengue do fim da gestaçaõ e a assombração da pré-eclâmpsia de volta. Mas foi muito legal colocar meu primeiro macacãozinho nela. Eu amo olhar a foto em que o Levi a segura, com um pijaminho velhinho, cor desbotada e ela com meu macacão.

Sobre badulaques para guardar, tenho as pulseirinhas da maternidade, primeira roupa de cada, meu dito macacão, mecha de cabelo do Levi (a Clara nem tem ainda!), muitas fotos e o principal são cadernos com anotações que tenho feito e pretendo entregar quando estiverem adultos, saírem de casa ou ainda quando tiverem seus primeiros filhos - caso tenha paciência para tanto.


quarta-feira, maio 23, 2012

Desmamou mesmo?


Tive algumas dificuldades nos primeiros dias para amamentar o Levi, como já citei aqui. Foram poucos dias, muito difíceis, mas nos acertamos, a produção normalizou e tudo ok.

Ele sempre mamou muito, e sempre ficou feliz mamando. Era até engraçado ver.

Já maiorzinho, ele andava pela casa e voltava só para dar um gole, como quem mata a sede.
Isso de forma alguma atrapalhou a introdução de sólidos. Sempre foi bom de garfo também, contrariando muitas crenças e ditos por aí.

Mas o desmame... não foi exatamente como planejei. Gostaria de ter amamentado até os dois anos. Queria engravidar nesse tempo, como de fato aconteceu, quando ele estava com 1 ano e 3 meses. O problema é que comecei a ter contrações fortes, cólica de precisar ficar sentada de olhos fechados para suportar e o obstetra disse que eu precisava parar imediatamente.

Saí do consultório chorando. Liguei para a pediatra, ela disse que achaca preciptado tirar, porque ele gostava muito e estávamos bem assim, mas que conversaria com duas amigas ginecologistas humanizadas, com quem estava almoçando e me ligaria em seguida. 

As amigas ficaram divididas, mas por fim, por causa da cólica ser intensa, acharam que seria melhor interromper. Não tive coragem de tirar de vez, num dia só. Cortei o hábito de mamar logo de cara (aqueles golinhos) e mantive a de dormir e a da manhã, que sempre foi nosso momento especial, porque ele acordava, ia para nossa cama e ficava mamando e tagarelando.

Cortei a da noite, que me trazia mais desconforto. Ele sofreu. Chorou muito, o pai o acalmava, cedi algumas vezes porque nunca tinha deixado que ele chorasse por querer mamar.

Ele entendeu, acostumou. E, finalmente, tirei a da manhã. Conversei, expliquei, disse que ele tomaria um copo de leite morninho ainda na cama e é o que fazemos até hoje, porque é nosso momento especial, de ficar abraçados, de conversar, de beijar. Nós dois gostamos muito disso. 

O processo de desmame durou pouco mais de 2 meses, ou seja, ele desmamou de vez com 1 ano e 6/7 meses. Se por um lado eu sofri, acho que foi melhor. Conhecendo o meu filho sei que para ele seria mais difícil ceder enquanto tinha a irmã mamando. Ele entraria em guerra mesmo, ficaria triste. Ceder para ninguém é uma coisa, mas entregar para a irmã... tsc tsc. 

Algumas vezes durante esses 4 meses de vida da irmã ele chegou a pedir para mamar. “Só um poquitinho, mãe”. Nunca cedi porque via que era um pedido sorridente, não ressentido e ele sempre aceitou as negativas.

Mas anteontem foi fogo! Estávamos sozinhos em casa, ele pediu diversas vezes durante o dia e na hora de fazer a Clara dormir, foi o fim para ele. Começou a chorar, sentido de verdade.

“Mamãe, deixa a Clara e cuida de mim, me dá um mamazinho, ela não quer mais”.
“Não, filho, vc é menininho, não mama mais. Já termino aqui e cuido de você, ok?”
“Mamãe (chorando), eu quero nascer de novo prá ficar bebezinho e mamar”.

Ai, ai... além de malandro e inteligente, ele sabe me quebrar. Quaaase dei, mas sei que teria sido pior para todo mundo, então prometi que tiraria meu leite para ele num copo. Ele ficou quietinho para a irmã dormir logo e disse que tudo bem.

Dei um banho rápido nele e fomos para a cozinha. Tirei o leite, pouco, porque ele estava com pressa, ansioso. Ele tomou um golão tão satisfeito! E só. Não quis mais, agradeceu e pediu o outro leite para dormir. 

Acho que tinha um quê de curiosidade que aquele gole resolveu, desmistificou. Ele disse estava muito gostoso, mas desconfio. Talvez não estivesse assim tão gostoso para ele.

O fato é que resolveu. Pelo menos por enquanto, porque com criança a única verdade absoluta é que eles sempre mudam.

segunda-feira, maio 21, 2012

O primeiro "eu te amo"


Levi começou a falar as primeiras coisinhas com 8/9 meses. Falar mesmo, não aquela barulhada que eles fazem de mãmãmã, pápápá, que na verdade não são palavras como muitos gostam de dizer.

Falou “papai” bem certinho assim numa manhã. Acordou, o peguei no berço e ele foi para nossa cama mamar. Depois de mamar, ficou se sacudindo feliz, como sempre fazia, olhou para o Fer dormindo e falou “papai”. Perguntei o que ele tinha falado e ele repetiu “papai”. O pai mesmo tava no décimo sono e não ouviu. Saímos do quarto um pouco depois para abrir a lavanderia (a Sofia estava miando para entrar) e o Levi falou de novo, “paapai”. 

Era papai e pronto. Dali uns dias fomos para a Romênia. Ele travou, esqueceu-se do papai, das palavras e ficou mergulhado naquele mundo de novos sons. Adaptado, começou a falar sim, dá (sim em romeno), tau-tau (tchau tchau) e umas besteirinhas. Entendia tudo, nas duas línguas.

Voltamos para o Brasil e com um ano ele falava praticamente todas as palavras, não frases, mas tudo o que precisava pedia pelo nome. Progrediu rapidamente e logo ouvi o primeiro “te amo”. 

A gente quase morre, né?

Que coisa mais inebriante ouvir o filho dizendo essas duas palavrinhas. Parece que o mundo pára, que o tempo congela e os segundos podem ser sentidos até no paladar.

Isso faz mais de um ano. 

Mas não era exatamente o que queria contar. 

Hoje ele estava particularmente grudado em mim. Insistiu para mamar – desmamou durante minha gestação da Clara – e disse que queria nascer de novo prá mamar. Depois de muita conversa, beijo, abraço, o coloquei no banho enquanto fazia a Clara dormir. Ele saiu sozinho de lá e apareceu peladão e feliz “mãe, já joguei a água fora, viu?”. Vi, filho, tenho visto cada dia uma coisa nova.

Peguei o hidratante dele, cuequinha, camiseta de dormir e ele ficou sorrindo, dizendo que estava feliz. E me abraçou, pulou no colo e disse “mãe, te iubéc”. Hã? “Te iubéc, mãe, igual o papai.” Sorri feliz, orgulhosa, com aquela mesma sensação de mais de um ano atrás novamente.

Ele me ama. Mas ele também ma iubesti. É te iubesc, ele esqueceu uma letrinha. Não 
importa, tá começando, recomeçando a aprender a falar, agora igual ao papai. 

Levi, si eu. Si eu te iubesc mult. (Levi, eu também. Também te amo muito).

Romênia, com quase 10 meses, num outono lindo.

sábado, maio 19, 2012

Pão de fôrma integral

Hoje foi um dia cheio.

O Fernando saiu logo cedo para dar aula em outra cidade. Isso sempre significa mais trabalho para mim e dia completamente sem tempo nem para respirar. Vai, exagero.. até consigo respirar, não consigo é tomar banho, mas esqueçamos disso.

Tinha almoço suficiente para mim e para o Levi. Requentei um arroz de cereais e feijão, fritei dois bifes ultra macios que separara ontem, a salada estava pronta e tinha uma sobrinha de purê de batatas de ontem à noite, que o Levi ama e aproveitou. Para o jantar, já tinha demolhado ervilhas, que ficaram deliciosas refogadas com bacon, tomate e cebola, servidas com arroz branco - item raríssimo em casa, inclusive o pacote já era - com cenouras e omelete.

Quando vi que horas eram, pensei que daria tempo de fazer um pão para o café, já que os outros dois tinham terminado ontem. Estava querendo fazer um pão integral, as receitas que encontrei em lugares "de confiança" eram em medidas e eu, vergonhosamente, não tenho balança. Aprendi a fazer pães por observação e em volumes.

Peguei uma receita de que gosto, não minha preferida, mas de um pão muito bom, fofinho de fácil e adaptei um pouco. A original pode ser encontrada aqui. Ela foi a inspiração justamente por ser um pão fofo, leve, que me deu coragem para substituir a farinha pela integral, mais pesada e seca.

Meu marido e um amigo americano que está em casa tinham acabado de jantar quando o pão saiu do forno, há alguns minutos. As crianças estão dormindo, deu tempo de eu saborear duas fatias calmamente - coisa rara em vida de mãe de dois peticos - e praticamente não temos pão suficiente para o café da manhã, já que devoraram mais da metade desse aqui. Nem tudo é perfeito.

É tão, tão fácil fazer, que ninguém pode se desculpar com falta de tempo. Fiz a massa, deixei descansando e fui dar banho nas crias, amamentar, contar história, escovar os dentes. Voltei à cozinha, moldei em dois minutinhos e cumpri o restante do ritual noturno do filhote mais velho, uma vez que a petica dorme assim que é posta no berço.

Vamos ao que interessa.


Pão integral fácil, fácil

1 xícara de farinha de trigo
2 1/3 xícaras de farinha integral peneirada (juntar à massa o que foi peneirado, é só para a farinha não ficar socada) (pode acrescentar mais 1/3 se for necessário)
1 colher de sopa rasa de fermento granulado (5g) ou 15 g de fermento fresco
1 colher de chá de mel
4 colheres de sopa de azeite extra virgem
1 xícara de leite morno
½ xícara de água morna
1 ovo ligeiramente batido
½ colher de chá de sal

Aquecer o leite e a água (menos de 60º), juntar o fermento e o mel. Deixar descansar por até 10 minutos. Acrescentar o ovo, azeite, sal e a farinha aos poucos, mexendo com uma colher.
A massa pode até ficar grudenta no começo, mas é melhor não acrescentar farinha e sim sovar até estar elástica, não necessariamente seca. Como aqui é muito quente e anda seco, sempre prefiro que minhas massas fiquem um pouco pegajosas nessa etapa.
Deixar descansar por 1h30. Moldar, colocar em forma de bolo inglês untada e levemente enfarinhada (caso seja de silicone, como a minha, somente untar com manteiga) e deixar descansar novamente por 40 – 60 minutos, até que, quando pressionada, a marca não volte rapidamente. Aquecer o forno a 190º e assar por 25 minutos, até dourar. O pão deve estar com som de oco. Senão, é possível voltá-lo ao forno e assar por mais alguns minutos, observando atentamente pra não queimar.

Já sei que a foto é tenebrosa... mas o pão é delícia!



quarta-feira, maio 16, 2012

Alimentação, aqui em casa foi assim


O Mamatraca está falando sobre comida essa semana, eu já queria mesmo escrever sobre o assunto, aproveitei a deixa.

Aqui em casa posso falar feliz sobre o assunto.

Depois de uma dificuldade inicial na amamentação do Levi porque eu não tinha nem um pingo de colostro, as coisas se normalizaram. Ele perdeu peso até o 10º dia, mas, depois disso, ao completar um mês tinha engordado 1,7kg. Dá prá ver que entramos nos eixos.

A amamentação com a Clara é igualmente tranquila. Em nenhum dos dois casos tive fissuras, dor ou qualquer coisa semelhante. O Levi foi sem tomar água até os seis meses e a Clara vai seguir assim no que depender de mim. Digo de mim, porque pelo Levi ela já estaria comendo pizza.

Muita gente me importunava pelo fato de eu amamentar exclusivamente. “Ele nunca vai aprender a comer direito”, “criança que mama no peito dá trabalho na introdução de sólidos”, “não usa mamadeira? Ele nunca vai aprender a beber água”.

Tudo besteira. Tudo crendice. Tudo furado.

Quando percebi que o Levi estava realmente interessado em nossa comida faltava uma semana, pouco mais, para completar seis meses. Comprei um copinho e ofereci o suco que ele tentava pegar do meu copo, no restaurante do hotel em que estávamos. Ele provou, sorriu, provou novamente. Acabou. Os dias foram seguindo assim. Ele se interessava, eu dava uma provinha. Usei o fim do último mês para atiçar a curiosidade dele a respeito daquilo que comíamos, sem negar nada. Queria feijão? Eu molhava o dedo e dava. Queria café? Idem. 

No dia em que fez seis meses, peguei uma pera, cortei ao meio, colherzinha em riste, comecei a comer a outra metade, ele quis, dei. Cara de esquisito. Cara de quero mais. Cara de gostei.

Pera mais dois dias. Dei abóbora cozida no vapor. Dois dias, qualquer outra coisa. Se fosse fruta, in natura; legume, cozido no vapor. Sem temperos, sem misturas. Passei a dar um pouquinho do que eu comia com a colher dele. Nunca triturei comida, peneirei, nada. Aqui nunca teve comida de criança e comida de adulto. Se caldo de legumes industrializado não servia para ele, não servia para nós todos. Se ainda não era hora de frutos do mar para ele, todo mundo parou de comer. Achei que assim ele teria prazer em poder desfrutar da mesa toda. Parecia maldade dizer “isso é seu, o resto não”. Tomava o cuidado de repetir o cardápio pelo menos mais uma vez seguida para observar alergias e afins. Não teve nada. Amou tudo.

Ah! Minto. De-tes-tou banana. Mas ele é meu filho, precisava me dar esse orgulho. Eu detesto até o cheiro da banana. Achei justo ele ter repulsa pelo menos um período. Ele chorava quando tentávamos, por isso desistimos. Na Romênia, já com nove meses, ele quis a que o pai estava comendo. Aprendeu a comer banana na Romênia. Tem lógica? Criança nem sempre tem lógica. 

Não comia tudo numa refeição, ok. Comia e queria mais, ok. 

Só tomava o cuidado de não deixar mamar antes das refeições, por razões óbvias. Queria ensinar, não boicotar. 

Nunca teve recompensa, negociação. Não quer comer, também não enche os picuás e pica a mula da mesa.
Foi gostoso, tranquilo, normal. Continuou mamando e só tivemos 10 dias de recesso alimentício ao chegar a Europa, o que é absolutamente compreensível. Ele ficou só mamando durante esses 10 dias, sem comer nada. Depois passou.

O que ele come? Tudo o que comemos. Quase nada industrializado. Come pão, mas faço em casa, come alguma coisa doce, mas é feita por mim, com ingredientes bons, se tiver açúcar, é demerara.
Come pizza. Refrigerante nem pensar. Temos um truque para ocasiões em que há somente refrigerante como opção (na casa dos outros). Enchemos um copo com água e pingamos o refrigerante, ao que ele apelidou de “água de coca”. 

Quase não consumimos sucos. Acho desnecessário, tenho uma opinião não muito ortodoxa e não gosto de dar suco às crianças pequenas. Acho que é melhor fruta in natura. Só prá pincelar, porque não vou dar todos os dados, quanta frutose tem um copo de suco de maçã? E uma unidade da fruta? Pegou o raciocínio?

Mas, o que nós comemos? Tudo. Arroz e feijão em média, uma vez por semana. O resto pode ser bifum, panquecas, comida romena, mexicana, americana, paulistana, paraibana. Não importa. Raramente comemos a mesma coisa dois dias seguidos. 

Come lanche? Come, se eu fizer o pão e o hambúrguer. 

E ele está por perto quando cozinho. Dia desses estávamos só as crianças e eu e não tinha a menor ideia do que fazer de almoço. Abri a geladeira, ele colou em mim: “tá procurando o que, mamãe?”, “não sei, filho, algo para comer, o que você acha?”. Ele olhou a gaveta de legumes e decidiu “mãe, faz essa beringela aqui, ó”. E fiz mesmo.

Ele já cozinha também, do alto de seus dois anos. Já fez brownie sozinho e ficou delicioso. Eu colocava os ingredientes na xícara e ele colocava na tigela e mexia. 

Isso quer dizer que vivemos no mundo perfeito da alimentação? De jeito nenhum. Quer dizer que vivemos no mundo normal da alimentação. Só isso.

Ele come muito bem e muito em quantidade também. É magrelinha, com uma energia de assustar. Mas tem dias que não quer nada. Tem dia que come, repete, elogia (“mãe, isso aqui tá delícia!”).

Nós pais temos muitas expectativas com os marcos dos filhos e comer é um marco também. Claro que fiquei tensa em alguns dias, quando ele comida pouco – eu considerava pouco – ou quando não comia de tudo o que estava à mesa. Fiquei chateada mesmo foi com os 10 dias sem comer nada vezes nada. Mas sempre lutamos aqui para não parecer ansiosos com isso. Acredito que foi fundamental. Demos liberdade para comer sozinho, se sujar, sentir a textura. 

Se faço café, deixo sentir o cheiro do pó. Chamo, mostro, explico. Se ele questiona sobre o vidrinho de vinagre, deixo provar também. 

Sobre as besteiras, já mencionei acima. Industrializados, uma vez na vida e outra na morte. Doces caseiros, com moderação. Não conhece bicoito recheado, mas não entra aqui em casa nem para os adultos. Conhece chocolate, 50% cacau ou mais. 

A Clara está com quatro meses e se interessa muito por nossa comida. Mês que vem vou começar a dar a chance das provinhas no dedo e aguardar. 

Ela vai ter ajuda, um irmão mais velho bom de garfo e de papo.


9 meses

1 ano
2 anos


quinta-feira, maio 10, 2012

Ele tem razão

- Mãe, eu sou grande e a Caara (Clara) é pequena.
- É filho, você é maior que a Clara.
- Mamãe, eu vou crescer?
- Vai, filho. Vai ficar ainda maior, grande como o papai.
- E a Caara?
- Vai ficar grande como a mamãe.
-...
- Mãe... você não é grande, você é pequena!
- Uia! Por que?
- Você nem consegue pegar minha bola em cima do armário, só o papai é grande.


Dias depois:

- Mãe, pega minha peteca (ele fala qualquer coisa, menos peteca e a palavra muda sempre para isso), por favor?
- Meu amor, sua irmã está dormindo, não dá prá arrastar a cadeira agora (são pesadíssimas, de madeira) e, além disso, eu tô com as mãos de farinha.
- Viu, mãe? Você não é grande, é pequena.

Levi, 2 anos e 4 meses. Mereço?

quarta-feira, maio 09, 2012

As mulheres da minha vida


Há quatro meses quero escrever isso.

Há quatro meses me tornei mãe de menina.

Desde que engravidei tinha aquela certeza interna de carregar uma menina. Inicialmente o ultrassonografista disse ser outro menino, mas alguma coisa dentro de mim me dizia para esperar e foi o que fiz. 

Veio a novela do nome – um dia escrevo direito sobre isso, acho – e aquela curiosidade gostosa de saber como seria o rostinho da minha bb. 

E no dia 05 de janeiro deste ano, três dias depois do aniversário de dois anos do irmão, a Clara chegou. 

Tão linda, tão esperta, com aqueles olhões arregalados para mim, tão calma, tão gostosa de segurar, de cheirar, com uma micro boquinha vermelha carmim, pela branquinha e cabelos ralos e escuros. Tão emocionante ouvir seu choro. Tão bom sentir seu rosto junto ao meu antes de sair da sala de parto. De repente aquela emoção do nascimento do primeiro filho estava de volta, agora em forma de menina.

Foi e tem sido igualmente assustador. Olhar para a minha filha é olhar para mim mesma de um jeito totalmente novo, diferente. É me enxergar refletida. É revisitar cada uma das mulheres da minha família.

Nos últimos anos inevitavelmente tenho reconhecido essas mulheres em mim. Vejo muito da minha avó materna, na mania de passar tudo pela água, na chatice com o marido ao volante, na rotina diária da casa. Vejo minha avó paterna, sovo meus pães com a mão dela virtualmente repousando sobre a minha, vejo meus movimentos parecidos com os dela, o gosto pela casa cheia, o desejo de muitos filhos (ela teve nove), o “dom da reclamação” sobre todas as coisas e a curiosidade sobre tudo. Vejo minha mãe, a cara de brava dando bronca nos filhos, a criatividade para inventar brinquedos e brincadeiras nos dias chuvosos. Vejo minhas tias, as risadas de algumas, a vontade de esganar de outras e assim percebo que sou uma tela feita de pinceladas diversas de aquarela, de cores diversas que produziram novas nuances ao entrar em contato com os reagentes contidos em mim mesma e que refletem agora uma imagem única, exclusiva, ainda que muito parecida com algumas ou todas elas, não caricata, autêntica.

E temo. Não que o resultado tenha sido ruim... falaria eu mal de mim ou delas?
Temo de um jeito não assombrado, mas ansioso pela nova tela que tenho em mãos: minha pequena e silenciosa Clara. Que reagentes tem ela em sua natureza? A tela parece branca, mas sei que não é apenas isso. Sei que logo suas cores surgirão, sutis inicialmente, mais fortes e seguras no futuro. E tudo o que desejo é ter a mão leve, o espírito aberto, os olhos criativos, o traço firme, mas não rude, para que ela reflita a mais bela obra já vista.

Desde o início da gravidez a música da Clara – antes de saber que era menina, veja bem – é “Father’s Eyes”, do Acapella Company. Ela sintetiza o que espero para minha pequena. 

Filha querida, se mais nada eu conseguir te deixar, que seja isso: “...she's got her father's eyes*...”.




 
* letra AQUI.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Filhotinha


Filhotinha,

Já escrevi aqui como descobri que estava grávida de vc. Não preciso repetir e nem é lindinho de ficar contando.
Agora estamos numa outra fase e daqui poucas semanas terei vc nos meus braços. Pode vir quando estiver pronta, ok?

Estamos aqui, seu pai, seu irmão e eu ansiosos por sua chegada, torcendo prá ser tudo tranquilo e curiosos para ver seu rosto, conhecer vc melhor.

Já te amamos muito! Nós três, inclusive seu irmão, ainda pequenininho, que sempre pergunta por vc, que quer saber onde vai dormir, se vai chorar... 

Deus te abençoe e proteja nesse finzinho de jornada aqui dentro de mim e te prepare para começar a jornada especial aqui fora.

sábado, maio 28, 2011

Feijão II

Pois, é. Mais de um ano depois cá estou, com outra gente na fôrma e com um monte de idéias (eu quero usar acento, uai, é problema meu que tenho idéia acentuada ainda).

Para o primeiro post pós-retorno, a novidade e basta. Estamos grávidos novamente.

Filhote-Feijão, você ainda não pode me ouvir, vai demorar uns meses até a gente se ver, mas quero deixar registrado prá nós dois uma coisa importante: eu te amo. Te amei quando vi duas tirinhas azuis no teste de gravidez e soube - de maneira mais racional - que você já existia dentro de mim.

Falo racional porque uns 15 dias antes eu já tinha dito ao seu pai que você tava aqui, comigo. Não foi exatamente romântica a forma como descobri. Fui até a igreja fazer qualquer coisa e seu irmão foi comigo, no colo. Na volta, ao passarmos pela sala dele da Escola Dominical, ele quis entrar. Eu estava sem tempo, apenas abri a janela para que ele soubesse que não havia ninguém e debruçamos sobre ela. Me deu um nojo o cheiro de tinta... credo! Só de lembrar me dá novamente. Esse nojo esquisito da tinta dessa sala eu só tive durante a gravidez so Levi, seu irmão. Entrei em casa com a certeza de que teríamos novidade em breve.

Ainda não sabemos se você é menino ou menina. Está cedo. Ainda não temos nomes para você. Mas seu pai e eu te amamos. Desejamos que você viesse e foi melhor do que poderíamos imaginar. 

Fique bem. Estamos contando os dias, literalmente, para te ver aqui em casa.

quarta-feira, abril 21, 2010

Sling

Como é impossível organizar esse blog omo eu gostaria, vou aprender a escrever quando der, sobre o que der e publicar logo, sem querer que fique tudo arrumadinho.

A vida nem é arrumadinha e eu quero isso dum blog... ninguém merece!

Antes do Levi nascer comecei a pesquisar sobre os slings. Achava muito bonito nos sites, parecia muito confortával, mas eu não tinha prática e fiquei pensando sobre comprar ou não.
Na primeira semana de vida dele, percebi que precisava de algo, que não fosse o carrinho, para ajudar a carregar, porque bb pesa que não é brincadeira! Não são tantos quilos no começo, mas o tempo no colo é bastante e a sensação de peso vai aumentando... uma mãe sabe bem do qu estou falando. Sem contar que a gente nunca tem uma posição realmente confortável pra segurar.

Bom, comprei um sling. Não era o que eu queria, mas tinha pressa e comprei numa loja em JP (carézima!!!!), um de poliéster, que tb não é o ideal para RN. Mas, foi o jeito.

Que decepção ao tentar usar... o Levi odiava ficar dentro dele, parecia super desconfortável, ele chorava, se esticava todo... deixei encostado por uns dias.

Precisamos ir ao mercado e não temos família com quem deixar o bb por umas duas horas, então, tivemos que levar conosco para fazer compras e meu marido pediu para levar o sling no carro. Levei, meio desconfiada de que daria certo...

Quando fui "vestir" o sling e meu marido pediu para ele carregar o bb. Vestiu o sling, ajustei à altura dele e cosneguimos fazer as compras com o levi dormindo, bem protegido de tudo lá dentro.
PEnsei que as coisas estivessem se encaixado.

Nada...

Depois de uns dias, tentamos usar de novo e o menino reclamou até!
Aí decidi que tentaria todos os dias, até me acostumar. Tentei todas as posições, fui aprendendo a ajustar o sling com ele dentro e fiz muitas buscas na internet de vídeos com "lições de sling" até que achei um ensinando a improvisar um sling de algodão fazendo um nó de marinheiro.
Lá fui eu novamente...

Aí foi pior! O algodão, sem nada de elastano, me parecia menos confortável que o poliéster com elastano do meu sling, e prá piorar, eu não conseguia fazer o ajuste do nó. O Levi chorava para entrar e para sair e nao conseguia ficar um minuto.

Não desisti. Continuei lendo e treinando com meu bb - tadinho..rs... - até que um dia, finalmente, aprendi a ajeitar o de algodão de uma maneira confortável. Em seguida aprendi a usar o de argolas e agora estamos tão acostumados com eles que aaté para certas tarefas domésticas o sr. Levi fica no sling de algodão e nó de marinheiro comigo, de um lado para o outro.

Mãe, é preciso aprender a usar o sling. É fácil, sim, e muito confortável para nós e nossos bbs, mas, como tudo nessa vida, é preciso prática e prática não nasce com a gente, se conquista!

Li muitos depoimentos de mães qeu desistiram de usar alegando que seus bbs não gostam. Não acredito nisso. Tirem os slings das gavetas e armários, e mãos à obra! Vcs vão ver qeu vale o esforço, porque o trem ajuda mesmo a gente!

Vou fazer um vídeo meu ajustando o nó de marinheiro e postar aqui e também pretendo em breve falar do banho no balde.

segunda-feira, abril 19, 2010

Vote na nossa foto!

Gente, pelo contador de visitas, sei que passa muito ser aqui nesse blog que eu nem conheço.
Tenho um pedido a todos: VOTEM EM MIM!

Na verdade, é uma promoção do site kikadepano para o dia das mães. Mandei uma foto do meu marido com nosso bb e eles estão concorrendo a um sling wrap - eu tô doida por um - e o que pode fazer é postar um comment com o nome deles. O link para as fotos é esse aqui. A foto deles é a segunda da segunda fileira (Fernando Frîncu e Levi).

Conto depois o resultado!

Muito obrigada!

domingo, abril 18, 2010

Sono do bebê

Mil anos depois aqui estou.
Resolvi escrever antes que passe e esqueça e sempre pode ser útil para alguém.
Meu bb tem 3 meses.
Estamso super adaptados um ao outro aqui em casa, graças a Deus, mas não foi assim desde que chegamos da maternidade e acho que muitas mães passam pela mesma situação.

Nos primeiros dias quase enlouquecemos aqui!
Eu não tinha leite (essa é outra cosia para postar depois) e ele não dormia bem (essa é a razão do post de hoje).

Vamos ao sono.

O Levi chorava sem parar. Não acreditava em duas coisas: primeiro que um bb ficasse tão durinho ao nascer, porque todo mundo fala que são molinhos e a segunda, que ele podia chorar tão forte, tão alto, ao ponto de ficar rouco com 4 dias de nascido!

Eu devia ser muito incompetente mesmo... afinal de contas, que mãe não pdoe acalmar seu próprio bb? Bem, eu não podia e ainda sofria com a falta do leite.

O que aconteceu foi que comecei a estabelecer uma rotina, respeitando certos "sinais" que o Levi me dava.
Quando meu leite chegou e a alimentação dele entrou em ordem, passei a perceber em que hroas ele tinha fome, que horas ficava mais molinho e fui tentando adaptar isso à realidade da casa. Para ser mais precisa, passei a criar uma rotina dentro da minha rotina. Claro que não estabeleci horários fixos, mas as variações eram poucas, de no máximo, duas horas.

Com quase duas semanas de vida, percebi que ele dormia cerca de 3 horas seguidas e ficamos assim à noite: ele mamava às 9, às 00, às 3 e às 6 horas. Cansativo, mas muito bom, porque meu marido e eu podíamos dormir ciclos de 3 horas, o que é uma bênção com um recém-nascido.
Aos poucos tentei esticar a mamada da tarde e o soninho para ele não dormir às 9 da noite. Ficava brincando com ele, meu marido tb, deixávamos alerta e perto das 11 a casa silenciava e começávamos a falar baixo, trocávamos a roupinha, a fralda, ele mamava e dormia.

Com uns dois dias fazendo isso, pasmem, ele dormiu 5 horas seguidas. CINCO, isso mesmo! Eu acordei até desnorteada, achando que algo estivesse errado, fora do lugar, aí percebi que eram 5 da manhã!

Muitas pessoas começaram a reclamar ao me ouvir dizer isso, falando que eu deveria acordar o Levi.
Gente, é o seguinte, não sou médica, ok? Mas sou mãe... raramente um bb vai continuar dormindo se estiver com fome. Ele vai acordar e aos berros, em geral. A pediatra da 1ª consulta queria que eu o acordasse (na primeira semana de nascido), mas uma tia muito queria minha estava aqui em casa, já criou dois filhos e me disse que isso não era necessário e eu fui relaxando, mesmo com as críticas.
E troquei de pediatra :]

A pediatra com que estamos agora disse que o sono é uma bênção de Deus, o Levi ganha peso normalmente, até acima do esperado, então não precisa ser acordado e já está dormindo, quase 7 horas seguidas toda noite.

Mamães, não se preocupem se os primeiros dias forem terríveis. PASSA, ok? E a não ser em casos especiais, deixem os bbs dormirem em paz. Todos agradecem!

sábado, abril 17, 2010

23:33

Chove. O ruído do ventilador e da tv abafam o barulho das gotas caindo na varanda.
Há alguma comemoração na cidade. É fácil saber. Tem música alta, dançante.
Essa é a hora em que meus pensamentos se reúnem no pátio. Dão as mãos, rodam numa ciranda frenética, num carrossel alucinado, uns tentando se sobressair, outros se ocultar. Os mais puros se entrelaçam com os fétidos, os sonhadores com os fracassados. São todos meus. São todos eu.
Penso no meu bebê no berço. No meu marido lendo na sala. Meu irmão no hospital. Penso nos parentes distantes, nos parentes mortos de repente. Penso nos meninos da igreja. Nos bons amigos.
E tudo gira sem parar.
Penso na fome - sempre penso na fome - e nas criancinhas que morrem de fome.
Nos lugares lindos que já vi. Nos que ainda quero conhecer.
E o sono chega lentamente. Ordena tudo isso aos poucos. Engaveta um riso, arquiva uma dor, põe uma saudade em banho-maria, um sonho sobre a mesa, os medos no baú e acaricia as alegrias, para estarem bem dispostas pela manhã, carregadas pelos braços do ânimo que vem na brisa do renôvo.
Amanhã talvez seja tudo igual, talvez não. Quem sabe?
E, importa? No fim, diz Salomão, é tudo canseira, enfado e vaidade.
Espero poder ao menos no último sono da minha vida, ter um arquivo repleto de utilidades para apresentar e ter a certeza de que nada disso foi em vão.

sábado, julho 04, 2009

14 semanas

Gosto muito da minissérie “O Auto da Compadecida”. Nunca li o livro, mas já decorei as falas e trejeitos de todas as personagens do filme, ao qual assisti inúmeras vezes.

Tem uma parte que sempre me chama a atenção. Todo mundo que viu lembra-se da mulher do padeiro, a Dorinha, que saía com todo mundo na cidade e que no fim – da vida, não do filme – pede perdão ao marido, dizendo que por medo de ter que se separar dele no dia da morte o traía, como uma maneira de matar aos poucos o amor dos dois.

Parece desculpa esfarrapada, coisas de Ariano Suassuna apenas, mas ele, como bom conhecedor de “gentes” que é, sabe que cada um de nós tem um pouco de Dorinha em si. Não porque estamos ávidos para trair nossos cônjuges – aviso aos desafetos, o post não trata de uma confissão minha dum caso extraconjugal, sorry – mas temos muita dificuldade em manter saudáveis nossas relações e é normal, uma defesa até, tentarmos nos esquivar das pessoas que amamos principalmente quando esse sentimento sobrepuja o esperado, quando cresce fora do nosso controle, quando é amor mesmo, não apenas paixão.

Já perdi amigos assim; ao descobrirem me amar mais que estavam acostumados ou perceberem que o relacionamento tendia a ter os laços reforçados pelo tempo, cumplicidade e o compartilhar da vida, se esquivaram, vencidos pelo medo da ferida futura, da exposição necessária, da doação de si mesmos. Destruí eu mesma relacionamentos assim também, um namoro e talvez duas amizades.

Mas não é esse o ponto hoje para mim.

Tudo escrito é para tentar entender a razão de eu evitar escrever sobre minha gravidez.
Estive pensando esses dias que parece ser um tipo de medo. Medo de ficar tão feliz, tão completa e de repente ver tudo se acabar de repente. Acho que é por causa de tudo que aconteceu em minha vida ano passado. Acho que são as sequelas de situações difíceis enfrentadas em relação à perda pessoal ou vistas na vida dos outros próximos a mim.

No começo do ano a esposa de um pastor conhecido nosso estava radiante com a gravidez do primeiro filho em em uma semana o quadro passou de feliz a assustador com a mesma internada, em coma, depois de um aborto...

Alguns medos estão presentes o tempo inteiro em mim agora.
Quando era mais nova uma tia minha sempre dizia que ficava impressionada com minha coragem. Sempre andei sozinha, não tinha medo de me aventurar em esportes meio radicais, em parques temáticos, em trilhas, acampamentos, viagens. Mas lembro como se fosse hoje de ela me dizer que parte ou toda a coragem iria embora aos poucos, com a vinda da idade e com a mudança de papéis na vida.

Ô boca!

Tudo tem seu tempo mesmo e agora não é mais meu tempo de me aventurar. É meu tempo de parar, olhar para dentro. Minha coragem agora resume-se a enfrentar o mundo por causa da minha família, não a exposições que julgo desnecessárias no momento.

E ando com medo. Ando com medo de andar no escuro. E se eu cair? E se bater a barriga?

Ando com medo de sangue. Do meu sangue. Não quero ver meu sangue tão cedo, porque sei que ele pode ser sinal de perda, de morte, de tristeza.

Ando com medo de ficar feliz. De ficar tão feliz que alguma coisa pode acontecer só para calar meu riso. Por isso tenho fugido de escrever, fugido de sorrir, fugido de cantar.

É só uma fase, ok, eu sei. Apenas explico para mim mesma a razão de não estar radiante com o que tem-me feito mais satisfeita em meio à rotina diária.

Acho que tá na hora de acabar com a síndrome da Chapeuzinho Amarelo*.

Ao completar 12 semanas (estou com 14 agora) fiz nova ultrassonografia.
O que era uma massa informe com um coraçãozinho pulsando é agora um bbzinho, com os contornos perfeitos no rosto, dançando e brincando com os pés dentro de mim.
Que surpresa boa ver que as quatro semanas que separaram as duas US deram ao meu filho um corpinho com “cara de gente”, deram mobilidade, continuaram dando-lhe vida.

Podem ser os olhos de mãe sobre os movimentos involuntários de um feto, mas ele parecia feliz aqui dentro, pegando os pés e esticando, virando cambalhotas e impedindo o médico de ficar ouvindo o coraçãozinho por mais tempo, roubando o sinal do sonar. Parecia se divertir fazendo esforço para ficar de barriga para cima e depois para alcançar os pés.

É isso. Estou totalmente aterrorizada com a novidade, com a responsabilidade, com os riscos.
Mas quero aproveitar o momento de estar feliz também. Não me importa nem se alguma coisa ruim acontecer. Nunca deixei de viver, não seria agora, numa das fases mais lindas e especiais da minha vida.

Escrever me liberta...



P.S. E achamos - o médico e eu - que é um menino.

* Chapeuzinho Amarelo é um livro do Chico Buarque, com ilustrações do Ziraldo que eu costumava ler quando era pequena.