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quinta-feira, dezembro 25, 2008

Natal 2008

Esse foi um natal estranho.

Pela primeira vez não fiquei animada com decoração, músicas, hinos, brilhos, comidas.

Parece que de verdade não sobrou nada assim externo que me animasse com a data.

Natal é o nascimento de Cristo. Vamos combinar que não foi nessa data, provavelmente. Além disso, a data virou super comercial o que roubou muito de sua graça.

Esse ano em especial acho que muita coisa não tinha graça por tudo o que passei, pela morte do meu tio e primos e depois a doença do meu marido.

Para facilitar vem essa biópsia. Ninguém gosta de ouvir o nome desse exame. Parece que é um exame fadado a resultados ruins.

Bom, fazendo um balanço, um apanhado desse ano, chego à conclusão de que realmente não restou nada nesse natal que não fosse simplesmente o fato de lembrar do nascimento do meu Salvador.

Escrevendo assim até parece que é o de menos, mas na verdade é o importante. Acho que acabei ficando feliz por ser salva e só. Não havia nada que me roubasse a atenção esse ano, nada que me preocupasse em organização, nada que me cansasse e me tirasse o poder de raciocinar sobre o que tem valor em si mesmo, sem nada para ornamentar.

A dor é um santo remédio. A dor humaniza, amadurece, revela o que está escondido. Ela também é um termômetro de fé, pessoal e dos relacionamentos. A dor traz a noção exata do que somos, de nossas expectativas, sonhos e também das dúvidas e medos.

A dor esse ano me deu uma nova perspectiva. Primeiro roubando toda esperança e depois revelando o verdadeiro sentido da existência. Foi como voltar ao primeiro amor.

É isso. Minha dor me trouxe de volta ao primeiro amor, quando eu não nem sabia que estava me distanciando dele.

Quando estava voltando do enterro do tio Ailton e dos meninos, sozinha no avião, liguei o palm para ouvir algum mp3 e, como uma vitrola quebrada, deixei repetir a mesma frase por 5 horas de vôo: para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.

Que promessa maior que a da salvação? Só a da vida eterna!

Natal para mim esse ano é mais que nunca a certeza de que a encarnação do meu Deus trouxe a esperança da liberdade, da comunhão recuperada, da vida completa, da vida com sentido.

Natal para mim em 2008 foi a certeza de que o Salvador chegou. E isso é tudo o que eu poderia querer.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Saudades...

Paula, você é a mais querida, a mais amada e a que mais me faz falta hoje.
Quando me mandou esse vídeo um tempo atrás fiquei super emocionada - yes! nós duas estamos ficando velhas e piegas!.
Agora estava caçando outra coisa no Youtube e o encontrei novamente.
Sabe? Talvez não tenhamos muita coisa, talvez não tenhamos alcançado todos os nossos sonhos, mas conquistamos algo mais especial e a cada ano que passa maior é a certeza do amor que sinto por você, do quanto você me faz falta e do quanto te desejo bem.
Gosto de não lembrar como nos conhecemos e como ficamos amigas, porque dá a sensação de que sempre tive você ao meu lado.
Com você aprendi o significado de existir "amigo mais chegado que irmão".
Nunca esqueça de que se precisar, é só chamar pelo meu nome. Estarei sempre aí.
NEOQEAV


v

terça-feira, dezembro 09, 2008

Áporo

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.

Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?

Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:

em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se.




sexta-feira, dezembro 05, 2008

...

Li num blog de uma pessoa querida um post sobre a ótica pessoal.
Ele - a pessoa é ele e chama Marcus, com "u" porque ele é chic, bem - comentou o fato de não sermos verazes ao fazer analogias sobre personas, mesmo que as tais sejamos nós.
E está correto. Realmente enxergamos distorcido, ou melhor, inventamos baseados em desejos e/ou expectativas aquilo que descrevemos sobre alguém.
Fez-me pensar.
Quando eu era mais nova, ficava sempre analisando o que as pessoas falavam sobre mim. Era um jeito de eu "descobrir" seus segredos, sua personalidade. Depois passei a julgar o mundo todo apenas uma idiotice, como em Matrix - preciso desenhar? Todo mundo assistiu a esse filme, ma gandesc. Agora oscilo entre o prazer de achar que já sei alguma coisa sobre a vida e a obstinação de querer entender porque não sei sobre o que já deveria saber.
Tenho plena consciência dos dois lados. Sei que tudo que julgo saber hoje será nada amanhã, mas mesmo assim tenho pretensões de saber. É meio maluco mesmo.
Mas, e daí? Acho que somos isso.
Um monte de sonhos, desejos, expectativas.
E é bom, sabia? Adoro reler meus diários que guardo com carinho desde os 11 anos. Tornei-me muitas das coisas que desejei ser dizendo que era. Mais ainda é o que não queria ser e sou perfeitamente...
Não se enxerga direito sem olhar para trás. Não se tem passado se não olhar para o futuro durante o presente. São conexões misteriosas, milagrosas. especiais.
Nos faz humanos. Pode nos fazer melhores. Ou ridículos. Não importa.
Nos faz vivos.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Ano III


Dia 26 fiz (emos) três anos de casada. Foi legal, apesar de não ser nada demais.
Ao mesmo tempo em que parece ter passado muito rápido, três anos não são propriamente uma vida, então há muito o que se viver (??).

No primeiro ano fomos para Barra de Camaratuba. Foi péssimo! O hotel era caríssimo e ruinzinho - foi indicação de uma "amiga" - e o que salvou foi uma jacuzzi, porque nem o clima tava muito bom. Estávamos irritados por qualquer coisa que nem sei mais.

O segundo ano foi no Maranhão. O Fernando tinha que ir para lá de qualquer maneira e acabamos juntando as duas coisas. Foi bom. Não foi melhor porque estávamos cansados de ter falado em várias igrejas etc. Ossos do ofício.

Esse ano a comunicação falhou e não conseguimos planejar nada com antecedência. Houve um casamento aqui na igreja sábado e o povo teria que viajar um dia depois do nosso aniversário. Ficamos meio confusos com as datas.

No dia 26 resolvemos ir para uma praia bem próxima, aproveitando que estaria vazia por ser meio de semana. Além do mais, não estávamos com pique de gastar porque esse ano já foi a cota (SP e Europa).

Foi ótimo! Acho que foi o melhor aniversário dos três. Aproveitamos bem, comemos bem, dormimos bem.

Mas somos péssimos nas fotos... sempre saímos horrorosos, por isso, posto uma foto da visão do nosso apartamento no hotel. E a corda da rede...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Iris

Antes de eu colocar uns outros nacionais de que gosto muito, aqui vai mais um internacional.

Foi uma das primeiras coisas que tentei tocar no violão - sem sucesso, porque era com pestana - e uma das primeiras que consegui traduzir sem ajuda de um dicionário (o tempo voa!!).

Linda a música, lindo o filme do qual ela é tema e quem não gostaria de ser a razão para alguém deixar a "eternidade"?

Aliás, acho que foi por isso que acabei casando. Tudo que meu marido precisou fazer foi dizer que tinha rodado metade do mundo procurando alguém por quem valesse à pena morrer - por causa do exemplo do marido ter que ser como Cristo é para com a igreja - e não tinha encontrado até me conhecer. Até pensei em não aceitar... mas depois me dei conta de que ele poderia muda de idéia...rs... Não foi bem isso, me dei conta de que isso mostrava que ele realmente queria estar comigo por quem eu era e não por uma ou outra qualidade, como a maioria dos caras que se aproximaram da minha vida.

Corajoso o pedido dele. E agora eu também tenho alguém por quem morreria. E ele sabe.

Fefê, sei que vc não entra muito aqui (já me ouve o dia inteiro e ainda ler o que escrevo?? seria demais!!), mas estamos perto do terceiro aniversário de casamento e foi legal lembrar agora, enquanto ouvia essa música de que quase 4 anos atrás aceitei seu pedido de casamento, num momento tão confuso da minha vida, tão delicado e que essa foi a melhor escolha.

Não conheço outro homem como você. Até hoje ainda fico impressionada com sua sinceridade - cortante, às vezes - com sua inocência e com o amor que tem por Deus.

Te iubesc mult!


quarta-feira, novembro 19, 2008

Kiss From a Rose

Ainda em "coisas para se ouvir", coloco aqui outra de minhas preferidas.
Kiss from a rose não é para mim a trilha do Batman. É a trilha de uma época amalucada da minha vida. Ouví-la é fazer uma retrospectiva muito boa!

O Seal prova que homem não precisa ser bonito... precisa ser charmoso.

O clipe é tosco - não há nada perfeito.

Continuo piegas (será um novo estado??).

Melhores trechos?? Nem sei...

"... You became the light on the dark side of me... There is so much a man can tell you, So much he can say. You remain, My power, my pleasure, my pain, baby... "




sábado, novembro 15, 2008

Final Feliz




Nem me pergunte a razão, mas sou apaixonada por essa música...
Acho que é porque tem gente muito covarde para fazer o que gostaria de fazer e é bom ouvir alguém cantar "não há mal nenhum gostar assim" ou "chega de fingir, eu não tenho nada a esconder", e mais "não tô nem aí pro que dizem... eu quero é ser feliz e viver prá ti"...
Ah! Fala sério?
Rapazes, se vocês cantassem, declamassem, colocassem para tocar algo assim uma vez por semana para suas queridinhas, garanto que valeria à pena.

É isso... estou piegas hoje.

Farei uma sessão diferente essa semana, já que estou mesmo sem tempo - eternamente - e sem muita vontade de escrever, postarei coisas que gosto de ouvir. Não apenas as músicas em si das quais gosto, porque gosto de umas músicas totalmente sem letra, mas as letras que gosto de ouvir.
Coisas para sussurrar ao pé do ouvido.

sábado, novembro 01, 2008

Discípulo (Grupo Logos)

Há dias que me sinto um discípulo
Naquele barco em meio ao temporal
As ondas são maiores que a minha fé
E sem saber pra onde ir, eu fico ali

Eu posso ver o medo em outras caras
Naquele barco todos passam mal.
Não há quem tenha força tal que pare
Ou que devolva o rumo àquele nau.

Mas um de nós se lembra e acorda o Mestre
Que estava todo tempo ali também
Ordena calma às águas.
Aumenta-nos a fé,
Pra não mais esquecemos que Ele está ali.

Ele está presente é o que nos basta!
Não importa a hora e o que acontecer!
Pode a tempestade vir me abater ...
Jesus está comigo eu vou vencer!

Assim são nossas vidas hoje em dia
Nos vales tão profundos onde a dor,
Angústias, medos, traumas e decepções
Se mostram prontos a nos abater.

Aí é só lembrar do nosso Mestre.
Jesus estava lá e está aqui também.
Ordena paz pra alma.
Aumenta-nos a fé.
Restaura nossas vidas pois está aqui.

Ele está presente é o que nos basta!
Não importa a hora e o que acontecer!
Pode a tempestade vir me abater ...
Jesus está comigo eu vou vencer!

quinta-feira, outubro 23, 2008

Aborto espontâneo

Hoje estava olhando as manchetes no site da UOL e vi uma coluna que tratava sobre aborto espontâneo. Pensei que fosse um documentário, um médico comentando, mas era um depoimento de uma jornalista que sofreu 3 abortos espontâneos esse ano.

Não tive dó, mas é inevitável pensar no assunto.

Quero muito engravidar e acho que talvez esse seja meu maior vilão hoje. O desejo excessivo que gera certa ansiedade. Tenho sim alguns problemas, mas de acordo com a médica, o tratamento foi bom e tenho chances normais de engravidar.

Quando a gente entra nesse mundo das mulheres que não conseguem engravidar facilmente como as outras, um monte de sentimentos costuma invadir a mente, o coração, a alma.
Vem a decepção cada vez que a menstruação chega...
Junto com ela, muitas vezes vem a tristeza de pensar "não foi novamente" e tentar reverter para um "não foi AINDA"...

Vem também uma certa revolta. Como é que eu não consigo engravidar? Sou casada, saudável, tenho o desejo para ser mãe, tenho um marido que quer ser pai, temos como sustentar um bebê... por que não posso ter?
E a revolta aumenta quando olhamos por outro lado.
Como é que essa menina de 13 anos engravidou depois de uma relação? Como é que essa mulher que já deu 5 de seus filhos engravida novamente? Como é que essa menina idiota que já deu um filho, engravida novamente, tenta abortar por 5 vezes e ainda vai ter outro bebê?

Parece que o cérebro da gente entra num Juicer da Walita. Mistura tudo, tritura tudo, moe tudo e de repente é só um suco amargo para descer goela abaixo.

Dentro da minha limitaçãoc, uso o Salmo 73 para perguntar "por que mulheres ímpias engravidam e as justas sofrem abortos espontâneos?"

Mas não fiquei revoltada com Deus. E foi isso que me fez sair do estado de nervoso em que estava até umas semanas atrás, mais precisamente, mês passado.

Ele me fez sossegar mês passado. Estou mais preparada para aceitar até se não puder mesmo engravidar. Não estou mais estressada contando os dias férteis. Se acontecer, aconteceu. Não quero mais ficar programando um filho como se fosse a aquisição de um bem valioso.

Talvez Deus esteja usando esse período para me fazer entender cada vez melhor que os filhos são flechas DELE, que talvez ele coloque em minhas mãos, mas não por minha causa, não por causa do meu marido, e sim porque ele quer que essas flechas sejam lançadas da direção da minha casa para a que Ele apontar.

Bom, o que tenho a dizer é que estou disposta a ser mãe e a não ser. Estou disposta a ser o que DEus quiser que eu seja. Claro que nesse caminho acredito que virão ainda períodos mais fáceis e também vales escuros, mas confio que Deus se compadece de mim, sabe como me sinto em relação a tudo isso e quero que ele faça a Sua vontade, não a minha, porque a minha várias vezes é pautada por egoísmo (pedem e não recebem porque pedem mal, diz Tiago), por mesquinhez, por orgulho e a dele é boa, perfeita e agradável. Sempre.

Até num aborto espontâneo.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Iguais

Porque somos e sempre seremos iguais.
Sempre os mesmos bebês chorões, como os mesmos temores do escuro, do frio excessivo, do sol escaldante ao meio dia.
E assim deve ser. Porque de alguma forma, ligados pelo mesmo tipo de essência e consciência, trazemos em nós as dúvidas e respostas de toda a humanidade, que foi, que é e que há de ser.
Distinguem-se as cores, alguns sotaques, gostos, gestos e jeitos, mas ainda assim, somos essencialmente iguais.
Olho esses iguais à minha volta e penso como em meio à tanta diferença nos parecemos.
Está na raiva, no amor. Na necessidade de crescer, mudar, aprender, compartilhar, somar. Está no fato de andarmos por vontade própria, ainda que inconsciente, por nossas próprias verdades que também são de outros.

terça-feira, setembro 30, 2008

Frase do dia

“Qualquer igreja que não está seriamente envolvida no cumprimento da Grande Comissão renunciou seu direito bíblico de existir.”

(Oswald J. Smith)‏

sexta-feira, setembro 26, 2008

Pensamento do Dia...

"Acho a televisão muito educativa. Toda as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro."
Groucho Marx

*Amei isso! Roubei da Paula Potter.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Sem Palavras

Quisera eu saber falar

Acerca do que sinto.

Ledo engano pensar que tal sentimento

Pudesse ser traduzido em palavras.


Por mais que me esforce,

Tente e queira,

Parece impossível!


Letras e sentimentos fundem-se

E confundem-se

Transformando tudo

Num emaranhado indecifrável.


Minhas idéias escapam entre os dedos

Enquanto tento organizá-las

Em expressão.


Para que falar

Se poderia demonstrar?

Eis a grande questão.

Meu medo ainda é maior.


Queria correr até você

Abraçá-la e beijá-la

Mas o receio impede-me.


Daria tudo por um minuto ao seu lado.

Trocaria o melhor de mim

Se ao menos uma vez

Pudesse tocá-la.


Durmo pensando em você,

Sonho com você

E nem nos sonhos conseguimos ser felizes.


As luzes me atrapalham.

Brilham

E misturam as imagens

Para que eu a perca.


Dura coisa tem sido esta:

Ficar observando-a em sonhos

E contemplando-a apenas.


Tenho sede da tua presença,

Sede dos teus beijos,

Sede do teu corpo,

Uma ânsia quase possessiva.


Temo nosso encontro.

Tanto a amo que não saberei agir.

Como será quando a abraçar?


Como será o primeiro contato?

Permaneceremos nos olhando

Ou aproveitaremos cada instante

Para saciar nossos corpos?


Não sei.

E esse não saber me angustia

Pois temo não ter reação.


Quando você vier será outono.

Folhas secas,

Uma doce brisa,

Tardes amareladas e noites frias.


Não importa qual seja o clima quando a encontrar.

Em qualquer estação terá abrigo em mim,

Nossas noites serão cálidas mesmo no inverno.


Nossos dias serão alegres e floridos.

O universo celebrará conosco,

Os ventos levarão e proclamarão nosso amor

E os pássaros terão novo tema para seu canto.


Por enquanto, tudo é sonho

Tudo é fantasia

E ainda estou só.


Por faltar talento e engenho,

Valho-me da natureza.

Sinta o doce vento e ali estarei,

E na solidão do entardecer sempre me encontrará.


Velando por nós,

Esperando pacientemente,

Emudecido de amor

Por não saber falar acerca do que sinto.


*coisas que nunca ninguém leu...


quarta-feira, setembro 17, 2008

Seis anos

Dia 31 de agosto fez 6 anos que pisei na Paraíba pela primeira vez.
Cheguei em João Pessoa 12:20 horas. Desci do avião sentindo um calor enorme por causa do ar quente que não combinava com os tênis jeans de cano médio, nem com a blusa de malha que estava usando.
Liguei para minha avó. Tínhamos nos estranhado antes de minha viagem, porque ela não queria que eu viesse de jeito nenhum e ela chegou a me falar que eu deveria ligar só quando estivesse aqui, quando pisasse na Paraíba porque enquanto isso não acontecesse, ela não acreditaria.
Ela me pareceu emocionada. Acabou "concedendo sua bênção", meio que forçada; não tinha mais o que fazer.
Lembro de ter olhado ao meu redor, lembro do meu coração ter disparado.
Quanta coisa mudou! Precisaria de mais que um post para documentar uma vida de seis anos.
No fim das contas, hoje acho que foi a coisa mais acertada da minha vida ter vindo para cá, ainda que a família tenha resistido um bocado.
Acho também que trocar certos sonhos por este sonho aqui, custou e custa muito, às vezes tem um peso enorme, mas também confere uma satisfação que nenhuma outra coisa que eu fizesse poderia me trazer.
O resto sempre dá tempo para fazer depois e se não der, tudo bem.
Acredito que esses anos serviram para eu crescer como ser humano, como cristã, como mulher.
Vim com 20 anos, cabelos curtíssimos, recém pintados de castanho escuro para disfarçar o dourado que usava naquele mês; trouxe na bagagem tudo que achava que seria suficiente para seis meses (absorvente, shampoo, creme para o corpo), tinha um namoro meio indefinido e do qual ninguém sabia...
Agora estou com 26 anos. Cabelos naturais e compridos. A bagagem provisória deu lugar a uma casa, gata e cachorra. O namoro indefinido deu lugar ao casamento.
Não mudou o mesmo coração disparado quando chego no aeroporto de João Pessoa, seja voltando da Europa ou de São Paulo.
Não mudou achar a entrada da cidade linda toda vez que passo por ela e pensar "ainda bem que não era Mamanguape".
Não mudou a correria, talvez tenha até aumentado.
E não mudou a satisfação cada vez que deito, mesmo morta de cansaço, sabendo que mais um dia, fiz o que gosto de fazer, o que sei que fui chamada a fazer.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Considerações Pessoais 1

Mesmo sabendo muitas coisas a respeito de muitas coisas (...), às vezes é preciso calar.
As pessoas se chateiam quando percebem que alguém sabe o que elas sabem ou um pouco mais do que elas sabem. Em geral, as pessoas gostam de confirmar que você não sabe e se alegram na arte de ensinar até o óbvio.
Ser "falso", pode soar como virtude.
As pessoas não se alegram pelo que os outros são, mas pelo que elas mesmas são.
Pessoas sentem-se bem quando são exaltadas em suas características, sejam realmente surpreendentes ou não.

terça-feira, setembro 09, 2008

Considerações Pessoais

A partir de hoje, sempre que estiver sem tempo, publicarei alguma de minhas considerações sobre as coisas de maneira geral. Estou com muita vontade de postar algo que escrevi, mas igualmente sem tempo. Quase não vi que tinha comentário para moderar!

Começarei com coisas simples, mas que me incomodam e/ou são importantes para mim.

A saber:


É preciso evitar reclamar demais a respeito de todas as coisas que acontecem e são diferentes do meu jeito e gosto.
Reclamar quando uma coisa é realmente ruim não é problema, mas viver discutindo com os outros sobre verdades relativas, é perda de tempo e neurônios.

quinta-feira, setembro 04, 2008

Considerações Mineiras

"Quem muito fala, dá bom-dia a cavalo."

Minha primeira máquina de costura

Tem coisas que não mudam nunca.
O tempo passa, a gente pensa que está mutanto (não digitei errado, quis escrever com T mesmo) e de repente, aos 26 anos descobre que tem dentro de si a mesma pessoinha que tinha aos 6, 7 e 8 anos.
Faz quase 20 anos uma senhora da igreja, esposa de um de nossos presbíteros, me ensinou a costurar. A coitada ficou responsável para cuidar de mim e meus irmãos uns dias, não sei bem a situação, mas ela, costureira, ocupadíssima e sem saber o que fazer com os pirralhos - a saber, éramos três - tinha que continuar trabalhando e ainda virar mãe de três sem ter um sequer (ela e o marido não puderam ter filhos, embora o desejassem muito).
E fez o que sabia fazer bem: costurou. Lembro dela me levando entre as máquinas de sua sala, e lembro de ter cortado tecido para eu ver, de ter me mostrado como se fazia cada passo de sua atividade.
Me enfeitiçou na hora!
Fiquie vidrada por aquela coisa de máquina, tesoura, que já era mesmo uma paixão desde antes dessa idade e ainda é, e tecidos.
O interessante foi que fiquei encantada com os retalhos. Via nos retalhos dela a grande chance de eu ter roupas feitas por mim pra minhas bonecas.
Antes de eu ir embora, ela fez para mim, no mesmo papel que usava para os seus, moldes para minha Barbie aeromoça. Fez molde de saia, vestido, calça, bata... e como é uma pessoa com muito tutano na mente, me deu uma sacola de retalhos.
Carreguei aquilo comigo para aca sa da minha avó como se fosse o bem mais precioso da minha vida!
Minha avó perdeu naquele dia um carretel e uma agulha, que foram cedidas para eu começar meu ofício de costureira oficial da Barbie.
Quando o fim de semana acabou e meu pai me levou de volta para a casa da minha mãe, ela ficou meio revoltada por ver tanta tralha na minha mala, mas acabou prmitindo que ficasse comigo.
Peguei tanto gosto pela coisa que passei a fazer peças até para mim e aprendi a fazer consertos simples à mão - por anos fui a "fazedora" de barras da família da minha mãe.
Aos 10 anos ganhei minha primeira máquina de cotura. Como era linad!
E funcionava mesmo! Com umas pilhas ou com a manivela. E não tinha bobina, então a costura tinha que ser muito bem feita para ficar presa de verdade.
Aprendi a mexer no trem e esse foi um dos meus presentes favoritos anos a fio.
Um dia, já mais elha, perto dos 15 anos, minhna mãe pediu para eu dar à ujma de minhas primas. Acabei cedendo e me arrependo amargamente por isso até hoje.
Ontem fui à cidade vizinha e comprei uma máquina de costura. Não é com flores desenhadas, nem movida à pilhas. Evoluiu um tanto, ficou mais complicada de usar (tem que encher as bobinas =[ ) mas dentro de mim, quando sentei para testar os vários pontos e ver se eu ainda sabia alguma coisa, estava a mesma menina de quase 20 anos atrás. Não tinha uma Barbie ao lado, nem a Lúcia para dar as dicas, mas tinha o mesmo desejo, a mesma alegria, o mesmo desafio.
Assim que coloquei a linha, consertei dois shorts que estavam encostados esperando eu lembrar de mandar para a costureira, com a mesma atenção que dispensei para fazer a primeira saia de minha boneca.
Acho que todo mundo muda o tempo inteiro e ao mesmo tempo a essência permanece intacta.
Acho que a gente cresce e amadurece par poder enxergar que o sentido das coisas está naquilo que fazíamos naturalmente antes de aprender a ser quem queríamos ser.
E acho que quanto mais se anda para frente, mais se enxerga o que ficou para trás. Como uma pintura de pontilhismo. De perto não tem sentido algum, parece apenas tinta que espirrou na tela, mas de longe pode ser a mais bela das pinturas, um Monet...
Antes eu via apenas uns pontos, agora começo a ver que eles formam figuras, gentes, cores e lugares. Espero poder ter a sensibilidade de um dia, no futuro, enxergar a grande tela da minha vida, pelos olhos da experiência, sem nunca perder a alegria infantil e ingênua do passado.